Tendência temporal da Doença de Chagas Aguda no estado do Pará, 2008–2024
DOI:
https://doi.org/10.5327/prmj.1016Palabras clave:
doença de Chagas, séries temporais, vigilância epidemiológica, incidência; AmazôniaResumen
Objetivo: Analisar a tendência temporal da incidência de Doença de Chagas aguda no estado do Pará, no período de 2008 a 2024, bem como avaliar possíveis mudanças estruturais associadas ao ano de 2020. Método: Estudo ecológico de série temporal com casos confirmados de Doença de Chagas aguda no Pará (2008–2024), obtidos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). As taxas anuais de incidência por 100.000 habitantes foram calculadas com base nas estimativas populacionais do IBGE. A tendência foi analisada por regressão de Prais-Winsten, com cálculo da variação percentual média anual (VPM). Realizou-se também análise de série temporal interrompida, considerando 2020 como ponto de inflexão. Resultados: Observou-se tendência crescente significativa no período total (β=0,07741; p<0,001), com VPM de 8,05% (IC95% 4,42–11,80). No período pré-2020, a tendência já era ascendente (β=0,10159; p<0,001). Em 2020 identificou-se redução abrupta no nível da série (β=-0,92968; p=0,0047), possivelmente relacionada a impactos indiretos da pandemia de COVID-19 sobre a vigilância epidemiológica. No período subsequente, verificou-se aceleração da tendência (β=0,18023; p=0,0308), sugerindo intensificação do padrão de crescimento. Esses achados são coerentes com o perfil epidemiológico amazônico, marcado pela relevância da transmissão oral e pela persistência de determinantes estruturais associados à cadeia produtiva de alimentos in natura. Conclusão: A Doença de Chagas aguda apresentou crescimento consistente no Pará, com mudança estrutural em 2020 e intensificação posterior, reforçando a necessidade de fortalecimento contínuo das estratégias de vigilância e controle.
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