Sífilis em gestantes no estado do Pará de 2013 a 2022: um estudo epidemiológico
DOI:
https://doi.org/10.5327/prmj.924Palavras-chave:
sífilis, gestantes, perfil de saúdeResumo
Objetivo: O presente artigo analisou o perfil epidemiológico de gestantes portadoras de sífilis no estado do Pará no período de 2013 a 2022, identificando tendências, fatores de risco e realizando comparações com dados nacionais. Método: Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo e transversal. Utilizou-se dados secundários do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), que foram analisados segundo faixa etária, escolaridade e raça/cor. O programa Joinpoint Trend Analysis Software foi utilizado para análise de tendência temporal e o programa IBM SPSS Statistics versão 26 para testes estatísticos. Resultados: No Pará, a partir de 2013, observou-se crescimento constante nas notificações de sífilis em gestantes em todas as categorias analisadas, com destaque para mulheres com ensino superior, pretas e indígenas. Em contraste, no restante do Brasil, identificou-se desaceleração a partir de 2018. O perfil epidemiológico mais prevalente no estado foi de mulheres jovens, pardas e com baixa escolaridade. Conclusão: A sífilis gestacional no Pará apresentou características distintas em relação ao cenário nacional. Esses achados reforçam a necessidade de estratégias regionais específicas, do aprimoramento dos sistemas de informação em saúde e de maiores investimentos em pesquisas epidemiológicas voltadas à sífilis gestacional, a fim de contribuir para o controle desse agravo pelas autoridades competentes.
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