CRIAÇÃO DE TECNOLOGIA EDUCATIVA PARA CRIANÇAS QUE REALIZAM HEMODIÁLISE PARA O CONHECIMENTO DE FISTULA ARTERIOVENOSA.

Autores

  • Ana Paula Figueiredo de Montalvão França Santa Casa de Misericórdia do Pará
  • Ana Carla Barbosa Figueiredo Santa Casa de Misericórdia do Pará
  • Bruna Carolina da Trindade Monteiro da Silva Universidade do Estado do Pará
  • Ingrid Inez Amaral Tillmann Universidade do Estado do Pará
  • Jéssica Maria Lins da Silva Universidade do Estado do Pará
  • Fabiola Leonir Moreira Campos Santa Casa de Misericórdia do Pará
  • Silvia Helena Silva do Nascimento Santa Casa de Misericórdia do Pará

DOI:

https://doi.org/10.5327.prmj.477

Palavras-chave:

Doença Renal Crônica, Fístula Arteriovenosa, Tecnologia de Baixo Custo, Enfermeiros Pediátricos

Resumo

INTRODUÇÃO: a doença renal refere-se a uma condição que afeta o funcionamento dos rins, órgãos responsáveis por filtrar o sangue e eliminar resíduos do corpo. Pode ser aguda, desenvolvendo-se rapidamente ou crônica com evolução gradual, no público infantil a malformação congênita e glomerulopatias estão entre as principais causas nesse grupo (SBP, 2020). Conforme Brabo et al., (2025) quando não tratada a disfunção pode levar à perda parcial ou total da função renal, necessitando de tratamentos como hemodiálise (HD), diálise peritoneal ou transplante renal. Para aqueles que precisam realizar a terapia dialítica e escolhem como modalidade a hemodiálise o acesso ideal é a FAV (fístula arteriovenosa) considerada padrão-ouro para o tratamento a longo prazo. É criada cirurgicamente ao conectar uma artéria a uma veia, geralmente no braço ou antebraço. Oferece maior durabilidade, menor risco de infecção e melhor fluxo sanguíneo para a diálise. A FAV leva em torno 60dias para amadurecer antes de ser usada. No entanto, não possui boa aceitação na pediatria, pois necessita de agulhas cortantes para canulação do acesso vascular ocasionando dor local (Correia, et al., 2021). OBJETIVOS: Descrever a experiência de enfermeiras da residência em Saúde da Mulher e da Criança e suas preceptoras, na criação e implementação de uma tecnologia educacional de baixo custo voltada para a educação, conhecimento e sensibilização da importância da fístula arteriovenosa (FAV) no público pediátrico com doença renal crônica. A tecnologia foi criada a partir da vivência das autoras no Serviço de Terapia Renal Pediátrica em um hospital de referência em saúde materno-infantil e nefrologia pediátrica no Estado do Pará. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um estudo descritivo qualitativo do tipo relato de experiência. As enfermeiras optaram pela criação de um braço produzido de forma artesanal e confeccionado com materiais de baixo custo, em um formato que lembre um brinquedo de pelúcia. A tecnologia possui um formato anatômico de braço humano e uma aba que ao ser levantado mostra como é anatomia interna de uma pessoa que possui FAV. DESCRIÇÃO DA EXPERIÊNCIA: A partir da vivência de algumas das autoras em cenário da residência multiprofissional em Saúde da Mulher e da Criança no serviço de  Terapia Renal Pediátrica,  percebeu-se que a maioria das crianças possuem como acesso vascular prevalente o cateter venoso central (CVC) para a realização da HD, contudo possui algumas limitações por parte de quem possui este tipo de acesso, por exemplo: proteger durante o banho de chuveiro, não poder tomar banhos de piscina ou em rios, uma atividade que seria comum na vida de uma criança, além do risco elevado de infecções por corrente sanguínea (Ferreira, Nerbass, Silva, 2020). A outra alternativa de acesso vascular é a confecção de uma FAV, comum no público adulto, mas que enfrenta rejeição entre as crianças por utilizar agulhas cortantes a cada sessão de hemodiálise. Percebeu-se que as crianças além de relatar o medo das agulhas de FAV pela dor que pode ser causada, elas não entendiam o que acontecia no corpo delas quando a fístula é confeccionada e as agulhas são inseridas. Desta forma optou-se por criar uma tecnologia educativa para ser utilizado na educação e sensibilização das crianças e demonstrar à elas o funcionamento da fístula. O produto foi chamado de “bracinho da FAV”, sendo confeccionado em material do tipo não tecido (feltro) e preenchido com espuma de silicone, o molde foi retirado de um braço adulto, ao ser passado para o tecido sofreu alteração em seu tamanho (ficou mais largo e maior) de maneira a melhorar a visualização didaticamente e que proporcionasse aspecto de brinquedo. No dorso do bracinho foi feito uma abertura e coberto com plástico transparente e maleável, na mesma direção já na parte interna do braço colocou-se dois segmentos de equipo, sendo um pintado de vermelho e o outro de azul sinalizando uma artéria e uma veia, e este foram unidos demonstrando a anastomose da fístula. Por cima do plástico transparente o braço foi coberto por uma nova camada de tecido (o mesmo do restante do braço), possibilitando a colagem de um outro pedaço de tecido onde permite a inserção das agulhas de FAV usadas na hemodiálise. O uso da tecnologia permitiu que as crianças que são eletivas para a confecção da FAV pudessem visualizar como é o seu funcionamento com uma abordagem lúdica como se fosse uma brincadeira. Essa perspectiva permite que durante as intervenções de saúde a criança interaja com mais segurança e tranquilidade aos procedimentos que precisam ser realizados, pois a criança aprende brincando (Santos et al., 2020). Além do público infantil a tecnologia também foi usada para a capacitação dos profissionais que atuam na terapia renal pediátrica. CONCLUSÃO: A criação da tecnologia demonstrou ser de grande utilidade e eficaz para a sensibilização das crianças, pois seu uso é igualmente um brinquedo terapêutico, e ao mesmo tempo pode ser usado como tecnologia para o aprimoramento dos profissionais que atuam nos centros de terapia renal. Além disso, destaca-se a necessidade de ampliar as pesquisas e criação de novos produtos para o público infantil, melhorando não apenas a adesão ao tratamento, mas também reduzindo o estresse e a dor nos procedimentos.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

BRABO, Alexandre Minetto et al. Análise econômica das terapias hemodiálise e diálise peritoneal de início urgente. Brazilian Journal of Nephrology, v. 47, p. e20240051, 2025.

CORREIA, Bianca Rafaela et al. Avaliação clínica da maturação da fístula arteriovenosa para hemodiálise: revisão de escopo. Acta Paulista de Enfermagem, v. 34, p. eAPE00232, 2021.

FERREIRA, Helen Caroline; NERBASS, Fabiana Baggio; CALICE-SILVA, Viviane. Avaliação de pacientes indicados para diálise peritoneal urgent start: quando o enfermeiro contraindica? Brazilian Journal of Nephrology, v. 43, p. 47-51, 2020.

SANTOS, Vera Lucia Alves dos et al. Compreendendo a sessão de brinquedo terapêutico dramático: contribuição para a enfermagem pediátrica. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 73, p. e20180812, 2020.

SBD. Sociedade Brasileira de Pediatria. Doença Renal Crônica em Pediatria: Diagnóstico e Prevenção. Departamento Científico de Nefrologia. 2020. Disponível em: <https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/22484c-DC_-_DoenRenal_Cronica-_Diag_e_Prevencao.pdf>.

Downloads

Publicado

15.01.2026

Como Citar

Paula Figueiredo de Montalvão França, A., Carla Barbosa Figueiredo, A., Carolina da Trindade Monteiro da Silva, B., Inez Amaral Tillmann, I., Maria Lins da Silva, J., Leonir Moreira Campos, F., & Helena Silva do Nascimento, S. (2026). CRIAÇÃO DE TECNOLOGIA EDUCATIVA PARA CRIANÇAS QUE REALIZAM HEMODIÁLISE PARA O CONHECIMENTO DE FISTULA ARTERIOVENOSA. Pará Research Medical Journal, 9(SUPL). https://doi.org/10.5327.prmj.477

Edição

Seção

Relatos de Experiência