ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM À GESTANTE COM DIAGNÓSTICO DE CÂNCER DE MAMA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA

Autores/as

  • Vitória de Cássia Quaresma Silva Universidade Federal do Pará
  • Brenda Mayane Rodriguês de Souza
  • Patrícia Danielle Feitosa Lopes Soares

DOI:

https://doi.org/10.5327.prmj.845

Palabras clave:

saúde da mulher, câncer de mama, Educação em saúde

Resumen

INTRODUÇÃO: O câncer de mama é uma doença resultante da multiplicação de células anormais da mama, formando um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Há vários tipos de câncer de mama. Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem lentamente. A maioria dos casos, quando tratados adequadamente e em tempo oportuno, apresentam bom prognóstico e possibilitam melhores resultados (1). O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do câncer de pele não melanoma. O câncer de mama responde, atualmente, por cerca de 28% dos casos novos de câncer em mulheres, relativamente raro antes dos 35 anos, acima desta idade sua incidência cresce progressivamente, especialmente após os 50 anos. O câncer de mama gestacional (CMG) é definido como aquele que é diagnosticado durante a gravidez, ou até um ano após o parto e com prevalência durante o ciclo gravídico-puerperal.A prevalência do CMG apresenta tendência crescente, devido ao adiamento da idade para engravidar, geralmente se apresenta em fase avançada, grau histológico pouco diferenciado e com pior prognóstico (2). Pacientes grávidas com câncer de mama podem apresentar sintomas semelhantes, como um nódulo palpável ou secreção mamilar, no entanto algumas vezes há um atraso no diagnóstico, devido a alterações fisiológicas gestacionais da mama, incluindo ingurgitamento, hipertrofia, secreção mamilar e aumento da densidade do tecido mamário. O diagnóstico e o tratamento dessas mulheres com esse diagnóstico durante a gravidez requer uma equipe multiprofissional dedicada com experiência em cuidados oncológicos e obstétricos ideais (3). A gravidez é um processo que pode causar desconforto, medo e ansiedade devido às modificações corporais e as condições externas (sociais, familiar e econômica), que envolvem todo o período gestacional. Enfrentar a gestação com um diagnóstico de câncer de mama pode causar incertezas sobre o futuro, que envolvem a vitalidade materna e fetal, além disso, essa situação implica na necessidade de um cuidado individualizado e qualificado, buscando tornar a mulher protagonista no seu processo de gestação. A assistência à gestante com diagnóstico de câncer precisa ser multiprofissional e especializada, envolvendo a mulher em todo processo de tomada de decisões, sendo necessário prestar um cuidado humanizado e holístico. Nesse sentido, a assistência de enfermagem é essencial no processo de cuidado de gestante com o diagnóstico de câncer de mama, pois envolve o acompanhamento da história, início da doença, processo de aceitação pessoal e familiar, tratamento adequado, cuidados relacionados às lesões causadas pelo câncer, acompanhamento da vitalidade materna, avaliação e monitoramento fetal, por meio da avaliação obstétrica, registro dos sinais vitais, acompanhamento do desenvolvimento da gestação. OBJETIVO: Descrever a assistência de enfermagem no cuidado à gestante com o diagnóstico de câncer de mama em uma instituição pública de saúde: MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um relato de experiência, de caráter descritivo, desenvolvido por acadêmicas de enfermagem, sobre a sistematização da assistência de enfermagem à gestante com diagnóstico de câncer de mama, realizado em junho de 2024. A assistência de enfermagem foi pautada em um cuidado integral e humanizado, abrangendo o monitoramento contínuo dos sinais vitais maternos, a avaliação dos efeitos adversos do tratamento oncológico, a vigilância do bem-estar fetal e o suporte emocional à gestante. Dada a complexidade do caso, foi realizado um acompanhamento rigoroso dos parâmetros clínicos materno-fetais, com ênfase na identificação precoce de possíveis intercorrências, como alterações hemodinâmicas, imunossupressão e efeitos decorrentes da quimioterapia. Além disso, a assistência incluiu orientações educativas externas para melhor adesão ao tratamento e ao pré-natal de alto risco. Foram fornecidas informações sobre os efeitos colaterais da quimioterapia, estratégias para minimizar desconfortos e a importância da continuidade do cuidado materno-fetal. O manejo dos sintomas foi realizado por meio de instruções que priorizaram o alívio de náuseas, fadiga e demais manifestações, sempre em consonância com a equipe médica. A assistência de enfermagem foi direcionada à segurança e ao bem-estar materno-fetal, por meio do monitoramento contínuo dos sinais vitais, incluindo aferição regular da pressão arterial, frequência cardíaca, temperatura e saturação de oxigênio, resultando na detecção precoce de possíveis complicações relacionadas à gestação e ao tratamento oncológico. Além disso, foram adotadas medidas para o controle dos efeitos adversos da quimioterapia, incluindo a administração de antieméticos conforme prescrição médica, incentivo à hidratação adequada e monitoramento de sinais de desidratação. A prevenção de infecções foi uma prioridade na assistência, devido à imunossupressão provocada pelo tratamento oncológico. Para isso, foram adotadas medidas rigorosas, como a higienização frequente das mãos e o monitoramento de sinais sugestivos de infecção, como febre, calafrios e alterações na pele e mucosas. No que se refere ao cuidado fetal, foi realizada a ausculta regular dos batimentos cardíacos fetais com o uso do sonar Doppler, a fim de monitorar a vitalidade fetal e identificar precocemente qualquer alteração sugestiva de sofrimento fetal. Foram fornecidas orientações sobre a importância da adesão ao pré-natal de alto risco, os cuidados com a mama acometida pelo tumor, bem como as possibilidades de aleitamento materno, considerando a necessidade de possíveis intervenções cirúrgicas e terapias adjuvantes. A assistência de enfermagem foi conduzida em colaboração com uma equipe multiprofissional, composta por médicos obstetras especializados em gestação de alto risco, oncologistas, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e assistentes sociais. A atuação conjunta possibilitou um cuidado mais abrangente e individualizado, atendendo às necessidades clínicas, emocionais e sociais da gestante. O suporte emocional prestado pela equipe de enfermagem foi essencial para auxiliar a paciente a lidar com os desafios psicológicos decorrentes do diagnóstico oncológico durante a gestação. Foram adotadas estratégias de acolhimento e escuta ativa, com incentivo à participação da família no processo de cuidado, promovendo um ambiente seguro e favorecendo o fortalecimento emocional do paciente. A experiência evidenciou a importância da sistematização da assistência de enfermagem no cuidado à gestante com câncer de mama, destacando a necessidade de um acompanhamento especializado que contemple a promoção da saúde materno-fetal, o controle de possíveis complicações e o suporte emocional. O relato reforça a relevância do trabalho multiprofissional e da adoção de uma assistência baseada em boas práticas, contribuindo para a segurança e o bem-estar da gestante e do neonato. RESULTADOS: A abordagem sistematizada no cuidado à gestante permitiu um acompanhamento contínuo e individualizado, contribuindo para a promoção da segurança materno-fetal, a redução de intercorrências clínicas e o fortalecimento do suporte emocional à paciente. A experiência de prestar assistência a uma gestante com câncer de mama proporcionou o desenvolvimento de habilidades clínicas, a ampliação do conhecimento sobre a gestação de alto risco associado ao tratamento oncológico e o fortalecimento da empatia e do olhar humanizado no cuidado. Além do mais, a vivência possibilitou um maior entendimento sobre a importância do monitoramento contínuo da gestante e do feto, bem como a necessidade de intervenções rápidas e eficazes para minimizar riscos. A prática da ausculta cardíaca fetal e a observação da resposta materna ao tratamento oncológico reforçaram a importância do acompanhamento rigoroso para garantir a segurança materno-fetal. Além disso, participar do cuidado direto ao paciente permitiu aprimorar a capacidade de observação clínica e a aplicação de medidas de conforto e bem-estar, como o controle dos efeitos adversos da quimioterapia e o suporte emocional à gestante. O monitoramento dos sinais negativos e a identificação precoce de complicações possibilitaram a adoção de medidas oportunas para o controle dos efeitos adversos, garantindo maior conforto e estabilidade clínica à gestante. As intervenções externas, como o incentivo à hidratação adequada e o suporte psicológico, mostraram-se ações positivas na redução do desconforto e na melhoria da qualidade de vida da paciente durante o tratamento. A experiência também trouxe benefícios no desenvolvimento da comunicação e do trabalho em equipe. O contato com profissionais de diferentes áreas da saúde, como médicos obstetras, oncologistas, nutricionistas e psicólogos, demonstrou na prática como a atuação multiprofissional é essencial para um atendimento completo e eficaz. A prática vivenciada foi uma oportunidade de crescimento, não apenas em termos de habilidades clínicas, mas também na capacidade de lidar com situações de alta carga emocional, o que se mostrou fundamental para o aprimoramento da prática e para o desenvolvimento de uma postura profissional mais sensível e adaptada às necessidades individuais da cliente. Contudo,  diante das orientações e do suporte prestado pela equipe, o suporte psicológico teve um impacto positivo na adaptação da gestante ao tratamento, diminuindo a ansiedade e fortalecendo sua resiliência diante dos desafios impostos pelo câncer durante a gestação. Nesse sentido, a experiência evidenciou a importância da sistematização da assistência de enfermagem no cuidado à gestante com câncer de mama, destacando o papel essencial da enfermagem na promoção da saúde materno-fetal, no controle de possíveis complicações e no suporte integral à paciente. A vivência reforçou a relevância da humanização do cuidado e da articulação entre diferentes áreas da saúde para garantir um acompanhamento atualizado e seguro, impactando positivamente tanto na evolução clínica da gestante quanto na sua qualidade de vida durante o tratamento oncológico. CONCLUSÃO: A assistência de enfermagem à gestante com câncer de mama precisa ser especializada, o acompanhamento desse tipo de gestação precisa ter a sensibilidade do profissional de saúde para realizar procedimentos que consideram a vontade da mulher, sendo também  fundamental a inserção da família, visando construir uma rede de apoio. É necessário a comunicação entre a equipe multiprofissional, buscando uma melhora no quadro da gestante, tornando o processo de gravidez mais seguro e preparando a mulher para o momento do parto. Os cuidados de enfermagem precisam ser integrais, visando o bem-estar e a melhora das questões físicas e mentais, sendo importante a intercomunicação com a equipe, registro da evolução da cliente e as prescrições dos cuidados com orientações, discussão sobre as dúvidas e a potencialização da autonomia da mulher durante o curso da gestação até o parto.

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Citas

Instituto Nacional de Câncer (Brasil). Câncer de mama : vamos falar sobre isso? / Instituto Nacional de Câncer. 8. ed. rev. e atual. Rio de Janeiro : INCA, 2023.

BOERE, I. et al. Breast cancer during pregnancy: epidemiology, phenotypes, presentation during pregnancy and therapeutic modalities. Best Practice & Research Clinical Obstetrics & Gynaecology, v. 82, p. 46–59, 2022.

MONTEIRO, D. L. M. et al. Fatores associados ao câncer de mama gestacional: estudo caso-controle. Ciência & Saúde Coletiva, v. 24, n. 6, p. 2361–2369, 2019.

Publicado

2026-01-15

Cómo citar

Quaresma Silva, V. de C., Rodriguês de Souza, B. M., & Feitosa Lopes Soares, P. D. (2026). ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM À GESTANTE COM DIAGNÓSTICO DE CÂNCER DE MAMA: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. Pará Research Medical Journal, 9(SUPL). https://doi.org/10.5327.prmj.845