Doação de Órgãos no Pará e no Brasil: Análise Comparativa dos Indicadores e Impacto da Negativa Familiar
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.371Palabras clave:
doação de órgãos, transplante, sistema nacional de transplantesResumen
Introdução: O Brasil possui o maior programa de transplante de órgãos do mundo, mas enfrenta desafios como a baixa taxa de doadores e a desconfiança da população. O maior obstáculo é a negativa familiar, que impacta diretamente a fila de transplantes. Isso ocorre porque, mesmo quando o indivíduo expressa sua vontade favorável, a decisão final sobre a doação cabe à família. Por isso, a discussão sobre a doação de órgãos é essencial, pois o transplante é, muitas vezes, a única alternativa terapêutica para pacientes com doenças terminais.
Objetivo: Comparar os indicadores de doação de órgãos no Pará e no Brasil, analisando dados de doadores efetivos, negativa familiar e evolução nos últimos 10 anos.
Material e Métodos: Estudo transversal, descritivo e comparativo, baseado em dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT). Foram coletados dados sobre doadores efetivos e negativa familiar para doação de órgãos no Pará e no Brasil, com foco nos anos de 2014 a 2023, últimos disponíveis no SNT. A análise comparativa foi feita observando as diferenças nos indicadores e fatores que influenciam a doação. Os dados foram obtidos diretamente nas plataformas oficiais do SNT.
Resultados e Conclusão: Entre 2014 e 2023, o Brasil teve um aumento constante no número de doadores efetivos, de 2.710 para 4.129 (crescimento de 52,3%). O Pará teve aumento de 66,7%, de 18 para 30 doadores. Porém, ao considerar a taxa de doadores por milhão de população (PMP), o Pará ainda está aquém da média nacional, com a taxa estadual subindo de 2,4 para 3,7, enquanto a nacional foi de 14,2 para 20,3. Isso indica que o Pará continua com números baixos em comparação ao restante do Brasil. Outro ponto relevante é a análise da entrevista familiar e da negativa familiar. Enquanto a porcentagem de negativa familiar no Brasil se manteve relativamente constante, de 42,0% em 2014 para 42,4% em 2023, no Pará houve um aumento significativo, passando de 21,9% em 2014 para 60,6% em 2023. Portanto, embora o número de doadores efetivos tenha crescido no Pará, o estado ainda se encontra distante da média nacional. Além disso, o aumento da negativa familiar se apresenta como um obstáculo cada vez maior para o processo de doação. Esses resultados reforçam a urgência de estratégias regionais focadas na conscientização da população e no fortalecimento do processo de entrevista familiar.
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Citas
PIMENTA, Graziele Jacob; CARNEIRO, Sueli Coelho da Silva; FONTENELE, Andréa Martins Melo; et al. Fatores Relacionados à Baixa Taxa de Doação de Órgãos - Abordagem de Gestão de Transplantes. Brazilian Journal of Transplantation, v. 27, n. 1, 2024. Disponível em: <https://www.scielo.br/j/bjt/a/6bXXNnHFwrQbDj3yFtk4GqS/?lang=pt>.
Negativa familiar é a principal razão pela baixa no número da doação de órgãos no Brasil. Revista Arco. Disponível em: <https://www.ufsm.br/midias/arco/negativa-familiar-e-a-principal-razao-pela-baixa-no-numero-da-doacao-de-orgaos-no-brasil>.
Doação - Série histórica. Ministério da Saúde. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/snt/estatisticas/doacao-serie-historica>.

