Acompanhamento nutricional em paciente pediátrico com Síndrome de Klinefelter, Transtorno do Espectro Autista e Seletividade Alimentar: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.370Keywords:
Seletividade alimentar, Síndrome de Klinefelter, Transtorno do espectro autistaAbstract
INTRODUÇÃO: A Síndrome de Klinefelter (47, XXY) é uma aneuploidia sexual masculina associada a alterações hormonais e déficits no desenvolvimento. Quando associada ao autismo, o cuidado torna-se mais complexo, especialmente no comportamento alimentar. Crianças com TEA apresentam seletividade alimentar, comprometendo o aporte nutricional e o crescimento. OBJETIVO: Relatar a conduta nutricional adotada no acompanhamento de um paciente com a Síndrome de Klinefelter, Transtorno do Espectro Autista e Seletividade Alimentar. MATERIAIS E MÉTODOS: Trata-se de um estudo de caso de um paciente de 3 anos e 7 meses em acompanhamento no ambulatório de nutrição de um hospital universitário de referência em doenças raras. A avaliação foi conduzida por meio de anamnese nutricional, incluindo dados sobre queixa principal, histórico alimentar e nutricional, intolerâncias e alergias, aversões alimentares, alterações no apetite e consumo hídrico. A aferição de peso e altura foi realizada e analisada pelo software Anthro Plus, sendo classificada conforme as curvas de crescimento da OMS. A conduta nutricional foi definida com base na necessidade de intervenção por apresentar seletividade alimentar severa. O estudo foi aprovado no Comitê de Ética em Pesquisa do HUJBB/UFPA sob parecer nº 6.492.528. RESULTADOS E CONCLUSÃO: O paciente apresentava consumo alimentar restrito a mingau de multicereais em todas as refeições, recusando vegetais e proteínas sólidas. A ingestão hídrica era inferior a 1 litro por dia, com hábito intestinal estável, porém fezes ressecadas (Bristol tipo 1). As medidas antropométricas auxiliam no acompanhamento e são expressas em escore z: 0,77, peso adequado para idade (17,2 kg). A conduta nutricional inicial priorizou a introdução gradual de novos alimentos, adaptação de texturas e estímulo à aceitação alimentar progressiva, introduzindo sopa com legumes batidos, frango desfiado ou carne moída e foi prescrito um suplemento alimentar para adequação imediata de micronutrientes. A seletividade alimentar é frequentemente associada a sensibilidades sensoriais, comuns em crianças com autismo, sendo necessário o trabalho conjunto da nutrição com a terapia ocupacional. O caso reforça a importância da intervenção nutricional precoce para favorecer o crescimento e desenvolvimento adequados.
PALAVRAS CHAVE: Seletividade alimentar; Síndrome de Klinefelter; Transtorno do Espectro Autista

