SISTEMATIZAÇÃO DA ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM À GESTANTE COM DIAGNÓSTICO DE LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO BOLHOSO
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.769Palavras-chave:
Enfermagem, Gestante, Lupus Eritematoso Sistêmico.Resumo
INTRODUÇÃO: O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica, multissistêmica, de causa desconhecida e de natureza autoimune, caracterizada pela presença de diversos autoanticorpos. Evolui com manifestações clínicas polimórficas, com períodos de exacerbações e remissões. De etiologia não totalmente esclarecida, o desenvolvimento da doença está ligado a predisposição genética e fatores ambientais, como luz ultravioleta e alguns medicamentos. Tem predileção pelo sexo feminino, afetando especialmente mulheres em idade reprodutiva, com proporção de nove mulheres para cada homem (1). O Lúpus Eritematoso Sistêmico Bolhoso (LESB) é um subtipo raro do Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) em que durante a evolução deste haverá o aparecimento de bolhas na pele, frequentemente associada a lesões identificadas e complicações adicionais (2). Sua ocorrência na gestação é particularmente importante ao impactar direta ou indiretamente a saúde materna e perinatal, com riscos elevados de perda fetal, parto prematuro, restrição do crescimento fetal e hipertensão. Embora os avanços no diagnóstico e tratamento melhorem os resultados, o lúpus ainda está associado à alta morbidade. A atividade do lúpus durante a gravidez e nos seis meses que a precedem, antecedente de nefropatia lúpica, hipertensão arterial e positividade para anticorpos anti fosfolípidos são os principais fatores associados aos resultados desfavoráveis (3). A Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) é um processo estruturado e inter-relacionado que visa organizar a prática assistencial do enfermeiro, proporcionando um cuidado individualizado e seguro para o paciente. No contexto da gestante com lúpus eritematoso sistêmico, a SAE torna-se essencial para a implementação de cuidados eficazes e seguros, visto que o LES é uma doença crônica e complexa que exige monitoramento constante e ações específicas. A SAE permite a operacionalização do Processo de Enfermagem (PE), que envolve avaliação de enfermagem, diagnóstico, planejamento, implementação e evolução de enfermagem, proporcionando um cuidado contínuo e adaptado às necessidades da gestante. Além disso, contribui para a melhoria da qualidade do atendimento, já que cada etapa do processo é realizada com base nas necessidades específicas da gestante e nas consequências decorrentes do lúpus. A SAE, ao ser aplicada em contextos agudos ou clínicos, também garante que o cuidado prestado seja contínuo, resistente e ajustado às mudanças no estado de saúde do paciente (4). Além do mais, melhorar os padrões de assistência pré-concepcional e gestacional para mulheres lúpicas deve ser um dos objetivos primordiais do acompanhamento obstétrico. A adoção de um protocolo específico de cuidados para essas mulheres é essencial para garantir que esse objetivo seja alcançado (3). OBJETIVO: Descrever a aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) no cuidado à gestante com lúpus eritematoso sistêmico bolhoso. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um relato de experiência, de caráter descritivo, proveniente de estágio extracurricular em uma maternidade, sobre a sistematização da assistência de enfermagem à gestante com diagnóstico de lúpus eritematoso bolhoso, na região de Belém-Pa, no ano de 2024. A assistência de enfermagem iniciou com acolhimento da gestante, em seguida realizou-se a admissão que incluía uma entrevista completa (dados socioeconômicos, antecedentes pessoais, antecedentes familiares, antecedentes obstétricos e medicações em uso), avaliação da caderneta da gestante e cartão de vacinação, exame físico céfalo-podálico, avaliação obstétrica (dinâmica uterina, batimentos cardíacos fetais e altura uterina), verificação dos sinais vitais, prescrições de enfermagem e orientações de cuidados. A rotina diária inclui assistência interdisciplinar, envolvendo médico, terapeuta ocupacional, psicólogo e a equipe de enfermagem (enfermeiro e técnicos de enfermagem), sendo o enfermeiro responsável pelo gerenciamento do cuidado, devido à assistência de 24 horas. A equipe de enfermagem da casa de monitoramento e avaliação realizava a limpeza e curativos simples nas lesões de pele presentes, e os curativos mais complexos eram realizados pela equipe do ambulatório de feridas da instituição pública de saúde. Avaliação das lesões de pele eram realizadas diariamente, sendo descrita no plano de cuidado de enfermagem no prontuário eletrônico, a gestante recebe orientações quanto aos cuidados de higiene corporal, o uso adequado de medicações orais e tópicas. A equipe de enfermagem elaborou atividades de inclusão na casa, por meio da educação em saúde, para interação dessa cliente com outras gestantes, devido a falta de conhecimento sobre essa patologia autoimune, as outras gestantes tinham receio da aproximação e contato. Houve a realização de atividades de recreação como o momento de cinema na casa, também realizou-se atividade de arteterapia com a pintura de desenhos e sua criação, desenvolvendo as habilidades motoras e proporcionando o bem-estar. Assim, a sistematização e o cuidado de enfermagem se estabeleceu além dos cuidados apenas com a doença, também se deu por meio da educação em saúde e da importante interação entre as mulheres, proporcionando discussões sobre temáticas que podem ser consideradas polêmicas. RESULTADOS: A experiência permitiu uma visão ampla sobre a assistência de enfermagem, considerando todo as necessidades da gestante, apresentadas ao longo do seu tempo de permanência. As lesões na pele foram cicatrizadas devido aos cuidados que incluem a limpeza e realização do curativo, sendo a inserção da equipe do ambulatório essencial para este processo de cicatrização das lesões mais complexas, o que proporcionou uma melhora na autoestima. O registro diário das condições da gestante no prontuário eletrônico permitiu maior interação da equipe multiprofissional, estabelecendo uma linha de cuidado integral e a inserção do plano de cuidados pelos profissionais da saúde. A execução de atividades de inclusão promoveu uma troca de conhecimento sobre diversos assuntos, esclareceu dúvidas sobre os cuidados na gestação, criou vínculos e aproximou as gestantes, tornando o ambiente mais acolhedor e familiar. As orientações de enfermagem proporcionaram um melhor cuidado corporal, envolvendo a gestante em todo o processo, sendo também realizado o aprazamento das medicações e condutas relacionadas ao uso adequado delas. A arteterapia foi fundamental na assistência de enfermagem, aproximou o profissional da gestante, criando uma confiança no cuidado e vínculo até o momento de preparo para o parto, também foi considerada uma atividade terapêutica que melhora as habilidades motoras e proporciona a distração da mente. A experiência permitiu um olhar humanizado sobre os cuidados de enfermagem durante a gestação, contribuindo para o processo de formação por meio da tomada de decisões, autonomia e inserção no processo assistencial. Além disso, a experiência trouxe conhecimento sobre o exercício da enfermagem, por meio da gestão do cuidado, buscando alternativas que pudessem melhorar o quadro da cliente. CONCLUSÃO: O cuidado à gestante com lúpus eritematoso sistêmico bolhoso requer uma abordagem personalizada e atenta às complicações clínicas e emocionais. A aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) garante um acompanhamento contínuo e eficaz, minimizando riscos de perda fetal e parto prematuro. Além disso, é essencial oferecer suporte emocional e psicológico à gestante, promovendo um cuidado integral que garanta sua saúde física e mental. A comunicação eficiente entre a equipe de enfermagem também é crucial para monitorar a evolução da gestação e adaptar o plano de cuidados conforme as necessidades da gestante. Com essa abordagem, é possível melhorar os resultados perinatais e proporcionar uma gestação mais segura para mãe e bebê.
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Referências
- BRASIL. Ministério da Saúde. Gestação de alto risco: manual técnico. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2012. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/gestacao_alto_risco.pdf. Acesso em: 9 mar. 2025.
- ALMEIDA, GH., et al. lúpus eritematoso sistêmico bolhoso: relato de caso. Brazilian journal of surgery and clinical research, v.32, n.1, p.20-23, 2020. Disponível em: https://www.mastereditora.com.br/periodico/20200907_163957.pdf. Acesso em: 9 mar. 2025.
-SURITA, FGC; PASTORE, DEA. Lúpus eritematoso sistêmico e gravidez. Femina, v.47, n.6, p.322-49, 2019. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2020/11/1129005/femina-2019-339-346.pdf. Acesso em: 9 mar. 2025.
- JANSEN, RC., et al. Sistematização da assistência de enfermagem ao paciente com complicações decorrentes do lúpus eritematoso sistêmico. Brazilian Journal of health
Review, v. 3, n. 3, p. 6098-6112, 2020. Disponível em: https://ojs.brazilianjournals.com.br/ojs/index.php/BJHR/article/view/11412/9627. Acesso em: 9 mar. 2025.

