ANÁLISE DA TAXA DE MORTALIDADE PERINATAL NO PARÁ NO PERÍODO DE 2019 A 2023.
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.718Palavras-chave:
mortalidade perinatal;, saúde materno-infantil;, complicações gestacionais.Resumo
Introdução: A mortalidade perinatal, que envolve óbitos fetais após 22 semanas de gestação e neonatais até sete dias de vida, é um importante indicador da qualidade do sistema de saúde. No Brasil, há variações regionais, e o Pará enfrenta desafios específicos devido a condições geográficas e sociais.
Objetivos: Analisar as taxas de mortalidade perinatal no Pará entre 2019 e 2023, identificando causas e fatores associados.
Materiais e Métodos: Foi realizado um estudo ecológico com dados dos Sistemas de Informações sobre Mortalidade (SIM) e Nascidos Vivos (SINASC), utilizando a Classificação Internacional de Doenças (CID) para identificar as causas dos óbitos.
Resultados: Entre 2019 e 2023, o Pará registrou 662.560 nascimentos e 5.330 óbitos neonatais, com as principais causas sendo afecções originadas do período perinatal e traumatismo de parto. A mortalidade neonatal foi predominante entre meninos e pessoas de cor/raça parda. Nos óbitos fetais, houve 6.833 casos, com complicações das membranas como principal causa. A mortalidade fetal também foi mais prevalente entre meninos e em fetos com 32 a 36 semanas de gestação. O parto vaginal foi mais comum, e 85,3% dos óbitos neonatais ocorreram em recém-nascidos com baixo peso.
Conclusão: As altas taxas de mortalidade perinatal no Pará refletem fatores biológicos e sociais. A maior vulnerabilidade dos meninos e a alta mortalidade entre mães com baixa escolaridade indicam desigualdades no acesso aos cuidados de saúde. A associação entre baixo peso ao nascer e maior mortalidade sugere falhas no acompanhamento pré-natal e manejo de gestação de risco. A predominância de partos vaginais entre os óbitos perinatais pode indicar falta de intervenções obstétricas adequadas. A redução da mortalidade perinatal depende do fortalecimento da rede de atenção materno-infantil e da ampliação do acesso a pré-natal de qualidade.

