Ansiedade pré-operatória no contexto amazônico: percepção da equipe de Enfermagem sobre desafios e estratégias de manejo

percepción del personal de enfermería sobre los desafíos y las estrategias de manejo

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5327/prmj.1071

Palavras-chave:

Ansiedade, Período Pré-Operatório, Percepção, Relações Profissional-Paciente, segurança do paciente

Resumo

Objetivo: Compreender a percepção dos profissionais de saúde acerca das experiências, barreiras e necessidades relacionadas ao manejo da ansiedade pré-operatória dos pacientes submetidos a procedimentos cirúrgicos em um hospital do interior amazônico. Método: Trata-se de um estudo qualitativo, de abordagem exploratório-descritiva, realizado entre janeiro e fevereiro de 2026 em um hospital público de pequeno porte e média complexidade localizado em Tucuruí, sudeste do Pará. Participaram 10 profissionais de saúde de nível técnico e superior atuantes no setor pré-operatório. A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas.  Os dados foram submetidos à análise de conteúdo temática proposta por Bardin, com apoio do software IRAMUTEQ®, utilizando Classificação Hierárquica Descendente, análise lexical e análise de similitude. Resultados: A análise permitiu identificar seis categorias temáticas: manifestações clínicas da ansiedade, estratégias de comunicação da equipe de Enfermagem, fatores geradores de ansiedade, lacunas institucionais e necessidade de capacitação, papel da equipe multiprofissional e impactos da ansiedade no processo cirúrgico. Os profissionais reconheceram sinais emocionais e fisiológicos da ansiedade, como medo, inquietação e taquicardia. A comunicação, o acolhimento e a escuta qualificada foram apontados como principais estratégias de manejo. Entretanto, observou-se ausência de protocolos específicos, insuficiência de treinamentos e atuação multiprofissional ainda pouco articulada. Conclusão: A ansiedade pré-operatória foi reconhecida como um fenômeno frequente e capaz de interferir negativamente no processo cirúrgico. Os achados reforçam a necessidade de investimentos em educação permanente e continuada, implementação de protocolos institucionais e fortalecimento da atuação multiprofissional, visando à qualificação da assistência, à segurança do paciente e à humanização do cuidado perioperatório, especialmente no contexto amazônico. Essas ações relacionam-se aos ODS 3 – Saúde e Bem-Estar, ODS 4 – Educação de Qualidade e ODS 10 – Redução das Desigualdades da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Yasmin Roque Sousa, Universidade do Estado do Pará (UEPA), Tucuruí, PA, Brasil.

Graduanda em Enfermagem pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), Campus XIII, cursando o 9 semestre. Foi monitora voluntária no componente curricular de Histologia, aprovada em processo seletivo (Edital n 59/2023 UEPA). Atuou como membro da Liga Acadêmica de Saúde Pública, vinculada à Faculdade de Teologia, Filosofia e Ciências Humanas Gamaliel (FATEFIG), no período de 2023 a 2024. É bolsista do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde PET-Saúde Equidade, 11 edição, aprovada em processo seletivo (Edital n 75/2024). Possui experiência em projetos científicos e de extensão, sendo voluntária em projeto de iniciação científica - PIBIC aprovado em processo seletivo (Edital n44/2025) e tendo atuado como voluntária nos projetos Cores Vivas e Acolhimento Psicossocial aos alunos universitários do Campus XIII da UEPA, desenvolvendo atividades voltadas à promoção da saúde, educação em saúde e cuidado psicossocial no contexto escolar e universitário.

Rodolfo Gomes do Nascimento, Universidade do Estado do Pará (UEPA), Tucuruí, PA, Brasil.

Possui Graduação em Fisioterapia pela Universidade da Amazônia (UNAMA), é doutor e pós-doutor pelo Programa de Pós-Graduação em Teoria e Pesquisa do Comportamento (UFPA), mestre em Doenças Tropicais (UFPA) e pós-graduado em Terapia intensiva e Gerontologia. Atualmente coordena e faz parte de grupos de pesquisa sobre envelhecimento, saúde de pessoas idosas e saúde na Amazônia. É professor efetivo e Coordenador do Campus XIII (Tucuruí) da Universidade Estadual do Pará (UEPA) e professor colaborador da do Programa de Pós-Graduação em Reabilitação e Desempenho Funcional (PPGREAB/UEPA).

Ana Carolina Aboukalam da Cruz, Universidade do Estado do Pará (UEPA), Programa de Pós-Graduação em Cirurgia e Pesquisa Experimental (PPGCIPE), Belém, PA, Brasil.

Fisioterapeuta graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (2008); Pós-graduação em Fisioterapia Cárdio Respiratória pela UEPA (2010);Pós-graduação em Fisioterapia Traumato Ortopedica pela UNAMA (2015);Servidora efetiva: SESPA (lotada na Unidade de Referência Materno Infantil e do Adolescente - UREMIA) e IASB (Instituto de Assistência aos Servidores de Belém)Pós-graduanda da Pós Graduação Mestrado Profissional Cirurgia e Pesquisa Experimental da UEPA (início em 2025)

Cláudio Joaquim Borba Pinheiro, Universidade do Estado do Pará (UEPA), Tucuruí, PA, Brasil.

Doutorado em Ciências pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO-RJ, 2013). Mestrado em Ciências da Motricidade Humana pela Universidade Castelo Branco (UCB-RJ, 2009).Especialização em Judô (EsEFEx/UFRJ, 2001). Possui graduação em Licenciatura/Bacharelado em Educação Física pela Universidade do Estado do Pará (UEPA-PA, 1996), É professor Titular do Instituto Federal do Pará (IFPA), onde é credenciado no programa Stricto Sensu Mestrado Profissional em Educação Profissional e Tecnológica da Rede Federal (ProfPET). Professor da Universidade do Estado do Pará (UEPA) ambos nos campi de Tucuruí-PA, Brasil. É membro do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Lutas e Esportes de Combate (NEPLEC/UFPA). Tem experiência na área de Educação Física com ênfase em métodos de exercícios físicos para saúde de pessoas e também em esportes de combate. As principais variáveis estudadas são: densidade mineral óssea, equilíbrio, resistência cardiorrespiratória, força muscular, equilíbrio, autonomia funcional e qualidade de vida. Além disso, é consultor Ad hoc de vários periódicos científicos nacionais e internacionais, publicou 120 artigos científicos, orientou 2 trabalhos de mestrado, 45 trabalhos de graduação, 16 de pós graduação Lato Sensu e 13 de iniciação científica (PIBIC). Publicou também 65 capítulos de livros e 12 livros.

Amanda da Costa Silveira-Sabbá, Universidade do Estado do Pará (UEPA), Programa de Pós-Graduação em Cirurgia e Pesquisa Experimental (PPGCIPE), Belém, PA, Brasil.

Cirurgiã-Dentista graduada pela Faculdade de Odontologia da Universidade Federal do Pará (UFPA); Especialista em Endodontia pela Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (FOUSP); Especialista em Prótese Dentária pela Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas/Universidade Cruzeiro do Sul (APCD/UCS); Mestra em Ciências Odontológicas pela Universidade de São Paulo (FOUSP) e Doutora em Biologia Parasitária na Amazônia pela Universidade do Estado do Pará/ Instituto Evandro Chagas (UEPA/IEC). Atualmente é Professora Adjunto II da Universidade do Estado do Pará (UEPA); Participou como MEMBRO TITULAR do Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos (CEP/UEPA) e do Comitê Científico Interno (CCI/UEPA); É docente dos Cursos de Medicina e Fonoaudiologia (UEPA); e Docente permanente do Programa de Pós-graduação Strictu Sensu Mestrado Profissional em Cirurgia e Pesquisa Experimental (CIPE). Líder do Grupo de Pesquisa ''Inovação e Tecnologias em Saúde'' Certificado pela instituição e cadastrado no Diretório do CNPq. Atua nas atividades de ensino, pesquisa e extensão, com ênfase na área da saúde, destacando: Fisiologia do corpo humano; Odontologia; a abordagem interdisciplinar entre Odontologia e Medicina; temas relacionados à saúde da mulher e à saúde mental; bem como, o desenvolvimento de produtos técnicos e tecnológicos nas áreas de saúde, educação, inovação e tecnologias em saúde.

Bruno Jáy Mercês de Lima, Universidade do Estado do Pará (UEPA), Tucuruí, PA, Brasil.

Docente efetivo do Departamento de Psicologia da Universidade do Estado do Pará e do Curso de Medicina da Faculdade UNA Tucuruí. Mestre e Doutor em Psicologia (linha de pesquisa: Psicologia, saúde e sociedade) pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia (PPGP/UFPA). Enfermeiro graduado pela Universidade do Estado do Pará (UEPA) e Psicólogo graduado pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Especialista em: Educação para Relações Etnicorraciais pelo Instituto Federal do Pará (IFPA); Estratégia Saúde da Família pela Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA); Gestão em Saúde Pública; Vigilância e Saúde; Enfermagem em Psiquiatria e Saúde Mental; e Avaliação Psicológica e Psicodiagnóstico (pela FAMART). Experiências em Estratégia Saúde da Família, gestão na APS, Saúde mental, CAPS e RAPS. Docência na graduação e pós-graduação nas áreas de Políticas Públicas de Saúde, Gestão da APS, Saúde Mental, História da Psicologia, Psicologia Social e Etnopsicologia. Desenvolve pesquisas nas temáticas: saúde pública e processos de privatização, gestão da APS, medicalização na saúde, saúde e subjetividade, saúde mental e racismo. Foi coordenador de Enfermagem em IES, com atuação em comissões, colegiados e NDE's. Membro do Grupo de Pesquisa Transversalizando (UFPA/CNPQ), do Grupo de Pesquisa Psicologia e Escolarização: políticas públicas e atividade profissional na perspectiva histórico-crítica (USP/CNPq), da Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO), da Associação Brasileira de Psicologia Política (ABPP) e da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Psicologia (ANPEPP).

George Alberto da Silva Dias, Universidade do Estado do Pará (UEPA), Programa de Pós-Graduação em Cirurgia e Pesquisa Experimental (PPGCIPE), Belém, PA, Brasil.

Fisioterapeuta graduado pela Universidade da Amazônia (UNAMA); Especialista em Fisioterapia traumato-ortopedia pela UNAMA; Mestrado, Doutorado e Pós-Doutorado em Doenças Tropicais pelo Núcleo de Medicina Tropical (NMT) da Universidade Federal do Pará (UFPA). Docente Adjunto I da Universidade do Estado do Pará (UEPA) com dedicação exclusiva. Líder do grupo de pesquisa Saúde, Ambiente e Movimento na Amazônia (SAMOVA). Atua nas seguintes linhas: Ensino na saúde e Atenção integral aos ciclos de vida.

Referências

1. Wilk MMGS. Prevalência da ansiedade pré-operatória em pacientes anestésico-cirúrgicos: revisão sistemática com metanálise [dissertação]. Brasília (DF): Escola Superior de Ciências da Saúde; 2022. Disponível em: https://repositoriobce.fepecs.edu.br/bitstream/123456789/1312/1/Mirce_Meire_Goncalves_de_Sousa_Wilk.pdf

2. Shebl MA, Toraih E, Shebl M, Tolba AM, Ahmed P, Banga HS, et al. Preoperative anxiety and its impact on surgical outcomes: a systematic review and meta-analysis. Clin Transl Sci. 2025;9(1):e33. https://doi.org/10.1017/cts.2025.6

3. Silva CP, Pfeifer AM, Freitas SM, Bender MS. Atuação do psicólogo hospitalar no pré e pós-operatório de cirurgia cardíaca. Rev Multidiscip Estud Cient Saude. 2023;(2):58.

4. Mazzetto FMC, Souza GR, Siqueira FPC. Transtorno de ansiedade no período pré-operatório: uma revisão integrativa. RECIMA21. 2023;4(2):e422681. https://doi.org/10.47820/recima21.v4i2.2681

5. Mendes BH, Lacerda JR, Barreto AC. Psicologia hospitalar e políticas públicas de saúde: uma análise do fazer da psicologia nos hospitais do SUS. IDOnline. 2020;14(53):1173-88. https://doi.org/10.14295/idonline.v14i53.2852

6. Gomes J, Abreu EC. Ansiedade pré-cirúrgica: estratégias psicológicas para o bem-estar do paciente [Internet]. Ouro Fino (MG): Faculdades Integradas ASMEC; 2025 [acessado em 08 jun, 2026]. Disponível em: https://portal.unisepe.com.br/asmec/wp-content/uploads/sites/10006/2025/12/ANSIEDADE-PRE-CIRURGICA-ESTRATEGIAS-PSICOLOGICAS-PARA-O-BEM-ESTAR-DO-PACIENTE-JULIANA-GOMES-E-ELISANGELA-CRISTIANE-DE-ABREU.pdf

7. Aquino JM. Estressores no trabalho das Enfermeiras em Centro Cirúrgico: consequências profissionais e pessoais [tese]. Ribeirão Preto (SP): Escola de Enfermagem; 2005. https://doi.org/10.11606/T.22.2005.tde-19102006-154614

8. Pafaro RC de, Martino MMF. Estudo do estresse do enfermeiro com dupla jornada de trabalho em um hospital de oncologia pediátrica de Campinas. Rev Esc Enferm USP. 2004;38(2):152-60. https://doi.org/10.1590/S0080-62342004000200005

9. Governo da Região Administrativa Especial de Macau. Guia para técnicas básicas de anonimização de dados [Internet]. Juazeiro do Norte: UFCA; 2021 [acessado em 08 jun. 2026]. Disponível em: https://documentos.ufca.edu.br/wp-folder/wp-content/uploads/2021/05/Guia-para-T%C3%A9cnicas-B%C3%A1sicas-de-Anonimiza%C3%A7%C3%A3o-de-Dados.pdf

10. Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70; 1977.

11. Camargo BV, Justo AM. IRAMUTEQ: um software gratuito para análise de dados textuais. Temas Psicol. 2013;21(2):513-8. https://doi.org/10.9788/TP2013.2-16

12. Santos FM. Análise de conteúdo: a visão de Laurence Bardin. REVEDUC. 2012;6(1):383-7. https://doi.org/10.14244/%2519827199291

13. Mendes LMP, Matos VCAS. Reações emocionais e comportamentais em pacientes cirúrgicos no pré-operatório: uma revisão integrativa. Res Soc Dev. 2023;12(4):e3912440937. https://doi.org/10.33448/rsd-v12i4.40937

14. Carvalho RNG, Santos IP, Motta LS, Silva JR, Pereira ES, Sousa JF, et al. A ansiedade e o ser ansioso. RECIMA21. 2022;3(12):e3122486. https://doi.org/10.47820/recima21.v3i12.2486

15. Silva DFM, Rodrigues RC, Cater EO, Miranda RDC, Santos VP, Chave FNR, et al. Transtornos de ansiedade: uma análise abrangente das causas, manifestações clínicas e estratégias diagnósticas. Cad Pedagogógico. 2024;21(12):e11051. https://doi.org/10.54033/cadpedv21n12-206

16. Batista YI, Branco ALC, Ferreira DC, Meneses RO, Bosco P. Terapias não farmacológicas de controle da ansiedade pré-operatória: uma revisão integrativa. Rev Enferm UFJF. 2020;6(1):1-12. https://doi.org/10.34019/2446-5739.2020.v6.33276

17. Gonçalves MAR, Pereira MAG, Machado NJB. Impacto da implementação de uma consulta pré-operatória de enfermagem: um estudo pré-experimental. Rev Enferm Refer. 2025;6(4):e39954. https://doi.org/10.12707/RVI25.6.39954

18. Inudes AIG, Ugá VD, Pimentel VP, Santos ALT, Reis C. Saúde na Amazônia Legal: diagnóstico e propostas de atuação para o BNDES. Rev BNDES. 2022;29(57):7-57.

19. Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 529, de 1º de abril de 2013. Institui o Programa Nacional de Segurança do Paciente (PNSP) [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2013 [acessado em 15 jun. 2026]. Disponível em: https://www.saude.rj.gov.br/comum/code/MostrarArquivo.php?C=Njc3OA%2C%2C

Downloads

Publicado

16.09.2026

Como Citar

da Silva, R., Sousa, Y. R., Nascimento, R. G. do, Cruz, A. C. A. da, Pinheiro, C. J. B., Silveira-Sabbá, A. da C., Lima, B. J. M. de, & Dias, G. A. da S. (2026). Ansiedade pré-operatória no contexto amazônico: percepção da equipe de Enfermagem sobre desafios e estratégias de manejo: percepción del personal de enfermería sobre los desafíos y las estrategias de manejo. Pará Research Medical Journal, 11. https://doi.org/10.5327/prmj.1071

Edição

Seção

Artigos Originais