Manejo farmacológico seguro da dor neonatal: uma metanálise em rede de ensaios clínicos
DOI:
https://doi.org/10.5327/prmj.1062Palavras-chave:
neonato, conduta do tratamento medicamentoso, metanáliseResumo
Objetivo: Compilar, de forma sistemática, ensaios clínicos descritos na literatura, meta-analisando em rede as principais evidências disponíveis quanto às estratégias farmacológicas eficazes e seguras para o manejo da dor em neonatos, identificando os principais protocolos farmacológicos utilizados e avaliar a eficácia e segurança das intervenções farmacológicas, considerando diferentes condições clínicas e procedimentos invasivos. Método: Revisão sistemática com Meta-Análise em Rede (MNA) seguindo as diretrizes PRISMA, protocolo registrado na plataforma OSF. A pergunta de pesquisa seguiu a estratégia PICOS e os dados foram obtidos das bases de dados PubMed, BVS, Scielo e Cochrane. Os descritores utilizados foram definidos pelas plataformas Decs e MeSH. Os critérios de inclusão foram ensaios clínicos randomizados (ECR) e ensaios clínicos não randomizados (ECNR), no idioma inglês ou português. Foram excluídas outras revisões, cartas ao editor, artigos de opinião, preprints, editoriais e estudos observacionais. Resultados: A MNA incluiu 14 estudos com elevada qualidade metodológica, avaliando diferentes intervenções farmacológicas e não farmacológicas para manejo da dor neonatal. Os principais resultados demonstraram que a glicose/dextrose a 25% associada à sucção não nutritiva apresentou maior probabilidade de eficácia na redução dos escores de dor e do tempo de choro em comparação ao placebo. Intervenções não farmacológicas, como amamentação e leite materno ordenhado, apresentaram melhor estabilidade fisiológica, especialmente na saturação de oxigênio. O bloqueio do nervo dorsal mostrou melhor desempenho na redução da frequência cardíaca, porém esteve associado a pior estabilidade respiratória. Para eventos adversos, a sacarose oral apresentou o melhor perfil de segurança, enquanto melatonina e morfina ocuparam posições inferiores no ranking. Apesar dos achados favoráveis às soluções adocicadas e estratégias combinadas, observou-se heterogeneidade e inconsistência em algumas redes, limitando a robustez das evidências. Conclusão: Demonstrou-se que a glicose a 25% associada à sucção não nutritiva foi a estratégia mais eficaz para redução da dor neonatal em procedimentos agudos. Intervenções não invasivas, como amamentação e leite materno, apresentaram melhor estabilidade fisiológica, enquanto abordagens invasivas e alguns fármacos sistêmicos mostraram maior potencial para efeitos adversos. Conclui-se que o manejo ideal da dor neonatal deve priorizar estratégias multimodais, eficazes e seguras, com preservação da estabilidade fisiológica do recém-nascido.
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