PERFIL DA DOENÇA DE CHAGAS AGUDA NA INFÂNCIA EM 5 ANOS
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.878Palavras-chave:
Trypanosoma cruzi, pediatria, ParáResumo
INTRODUÇÃO: A Doença de Chagas (DC) é uma infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e, apesar de reconhecida a sua gravidade em países endêmicos, como o Brasil, ainda representa um grande desafio à saúde pública. Somado a isso, tem-se grande descrição na literatura quanto à fase crônica da infecção, todavia, pouco se conhece sobre características da doença nos indivíduos acometidos durante sua fase aguda, sobretudo em pacientes pediátricos. OBJETIVO: Nesse sentido, a presente pesquisa tem, como objetivo, caracterizar o perfil epidemiológico da DC aguda na infância no Brasil, de 2019 a 2023. MATERIAL E MÉTODOS: Estudo transversal, retrospectivo e quantitativo, que utilizou dados secundários do DATASUS e fez uso das seguintes variáveis: número de notificações por região e por estado, faixa etária (<1 ano, 1 a 4 anos, 5 a 9 anos, 10 a 14 anos, 15 a 19 anos) e modo provável de infecção, entre os anos de 2019 e 2023. RESULTADOS E CONCLUSÃO: Houve um total de 546 pacientes com diagnóstico de DC aguda no Brasil, sendo 96,0% na região Norte. Desses, 431 foram no Pará, o que representa 79%. A idade mais acometida foi de 15 a 19 anos (29,7%) e a menos acometida foi a de menores de 1 ano (4,76%). O principal modo de infecção foi por via oral (88,6%), ao passo que a vetorial, outra importante fonte de infecção, foi apenas 6,4% dos casos registrados. Nesse contexto, observa-se o expressivo destaque do estado paraense no volume de diagnósticos e, ao considerar a alimentação a principal fonte de contaminação, possivelmente revela uma inadequação na qualidade do preparo dos alimentos, com notoriedade ao açaí, em que o descuido nas práticas de coleta, higiene e processamento do fruto permitem o seu consumo com o inseto triturado ou suas fezes, os quais podem conter o parasita. No Pará, a população tem o açaí como uma das principais fontes de alimentação, inclusive entre a faixa pediátrica, muitas vezes sendo oferecido até mesmo antes dos 6 meses, período em que é extremamente importante a manutenção do aleitamento materno exclusivo. A partir disso, uma alternativa seria a pasteurização do açaí, associada a uma fiscalização sanitária adequada dos serviços. Assim, a doença poderia ser prevenida com mais sucesso, evitando a contaminação e evolução para formas crônicas, bem como grandes gastos que são realizados para o tratamento da doença, tendo o importante potencial de promover uma melhor segurança do paciente.
PALAVRAS-CHAVE: Trypanosoma cruzi. Pediatria. Pará.

