Complicações do Uso de Terapia Hormonal sem Acompanhamento Médico
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.855Palavras-chave:
terapia hormonal, saúde trans, complicações hormonaisResumo
Introdução: A terapia hormonal é um recurso essencial para a afirmação de gênero de pessoas transsexuais e não binárias. Entretanto, a automedicação e o uso de hormônios sem acompanhamento médico são práticas recorrentes, impulsionadas por barreiras no acesso à saúde. Essa conduta pode resultar em complicações graves, incluindo trombose, alterações cardiovasculares e hepáticas, bem como impactos na saúde mental. Este estudo investiga as complicações associadas ao uso inadequado de hormônios, com base em dados do DATASUS. Objetivo: Avaliar a incidência de complicações decorrentes do uso de terapia hormonal sem acompanhamento médico e analisar suas consequências para a saúde pública. Materiais e Métodos: Trata-se de um estudo transversal que utilizou dados do DATASUS, abrangendo o período de 2015 a 2024. Foram analisadas informações provenientes do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). A investigação considerou diagnósticos de eventos tromboembólicos, doenças cardiovasculares, alterações hepáticas e transtornos psiquiátricos associados ao uso irregular de hormônios. A análise comparou os índices de internações e óbitos entre usuários de hormônios com e sem prescrição médica. Resultados: Os dados demonstraram que a automedicação com hormônios está associada a um aumento significativo no risco de complicações, incluindo trombose venosa profunda, eventos cardiovasculares e alterações hepáticas. Adicionalmente, foi observada uma maior incidência de atendimentos psiquiátricos em indivíduos que relataram o uso irregular de hormônios. Fatores como a compra de medicamentos no mercado informal, a ausência de monitoramento laboratorial e a falta de acompanhamento médico contribuíram para as complicações identificadas. Conclusão: O uso de terapia hormonal sem acompanhamento médico representa um risco substancial para a saúde de pessoas trans e não binárias. A ampliação do acesso a serviços especializados, a capacitação dos profissionais de saúde e o desenvolvimento de políticas públicas que facilitem a prescrição segura e o monitoramento contínuo são essenciais para reduzir essas complicações e garantir um atendimento de qualidade.
Palavras-chave: Terapia Hormonal; Saúde Trans; Automedicação; Complicações Hormonais; SUS; DATASUS.
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Referências
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