Mortalidade Infantil por Causas Evitáveis no Pará: Um Panorama Atualizado
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.841Palavras-chave:
Mortalidade infantil, causas evitáveis, prematuridade, desigualdades regionais, saúde pública, ParáResumo
Objetivos: Investigar a mortalidade infantil por causas evitáveis no estado do Pará, analisando sua evolução nos últimos anos, os principais fatores de risco e as disparidades regionais. Além disso, busca-se avaliar a efetividade das políticas públicas voltadas para a redução desses óbitos e propor estratégias de intervenção. Material e Métodos: Trata-se de um estudo descritivo e retrospectivo, baseado em dados secundários extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), disponibilizados pelo DATASUS. Foram analisadas taxas de mortalidade infantil (óbitos em menores de 1 ano por 1000 nascidos vivos) no Pará entre 2018 e 2023, classificando as causas de óbito segundo a Lista Brasileira de Causas de Mortes Evitáveis. As variáveis consideradas incluem prematuridade, infecções neonatais, asfixia perinatal, malformações congênitas e condições socioeconômicas, como escolaridade materna e acesso a serviços de saúde. Os dados foram estratificados por mesorregiões do estado, permitindo a identificação de desigualdades intraestaduais. Resultados: A taxa de mortalidade infantil no Pará manteve-se acima da média nacional nos últimos cinco anos, com variações significativas entre as mesorregiões. Municípios com menor cobertura de atenção primária apresentaram os maiores índices. As principais causas evitáveis foram prematuridade extrema (35%), infecções neonatais (25%) e asfixia perinatal (18%). Observou-se forte correlação entre altos índices de mortalidade e baixa escolaridade materna, menor acesso ao pré-natal adequado e déficit na estrutura hospitalar neonatal. Apesar da implementação de programas como a Rede Cegonha, desafios persistem, especialmente nas regiões Norte e Sudoeste do estado. Conclusões: A mortalidade infantil por causas evitáveis no Pará segue sendo um grave problema de saúde pública, com forte impacto das desigualdades regionais. A ampliação do acesso ao pré-natal qualificado, a capacitação de equipes neonatais e a melhoria da infraestrutura hospitalar são medidas urgentes para mitigar esses óbitos. Estudos futuros devem aprofundar a análise dos determinantes sociais e propor abordagens integradas para a redução da mortalidade infantil no estado.

