ANÁLISE DO PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE INTERNAÇÕES POR DOENÇAS RESPIRATÓRIAS AGUDAS EM CRIANÇAS DE 0 A 4 ANOS NO PARÁ NO PERÍODO DE 2020 A 2024
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.726Palavras-chave:
Hospitalização, Epidemiologia, doenças respiratórias agudasResumo
Introdução: As doenças respiratórias agudas são uma das principais causas de hospitalização em crianças menores de cinco anos, especialmente em regiões com desafios socioeconômicos e climáticos, como o Pará¹. Portanto, a análise do perfil dessas internações é essencial para entender a evolução dos casos e os impactos da pandemia de COVID-19².
Objetivos: Analisar o perfil epidemiológico das internações por doenças respiratórias agudas no estado do Pará entre 2020 e 2024.
Materiais e métodos: estudo ecológico e analítico, com dados do Sistema de Informação Hospitalar (SIH) do DATASUS. Foram incluídas crianças de 0 a 4 anos residentes em municípios do Pará. As variáveis analisadas foram faixa etária, sexo, óbitos e diagnósticos do capítulo X do CID-10 (asma, laringite e traqueíte aguda, bronquite e bronquiolite aguda — BB). Os dados passaram por análise descritiva no Excel.
Resultados: Entre 2020 e 2024, registraram-se 11.163 internações pelas três doenças estudadas. A bronquite e bronquiolite aguda corresponderam a 51% dos casos, enquanto laringite e traqueíte agudas somaram 1.154 internações (10%). O menor número de internações ocorreu em 2020 (1.540 casos), seguido por aumento médio de 26,3% ao ano até 2023, quando atingiu o pico de 2.751 internações. Em 2024, houve redução de 282 casos (10%). Crianças de 1 a 4 anos representaram 60% das internações, enquanto aquelas até 1 ano contabilizaram 4.459 casos. Observou-se predomínio do sexo masculino (6.305 casos) sobre o feminino (4.858). A taxa de letalidade geral foi de 0,188% (21 óbitos), sendo maior entre os casos de BB (0,24%).
Conclusão: Os dados mostram uma mudança no perfil das internações por doenças respiratórias agudas em crianças de 0 a 4 anos no Pará entre 2020 e 2024. O aumento progressivo das internações após 2020, provavelmente relacionado à retomada das atividades sociais, e a predominância da bronquite e bronquiolite aguda com maior taxa de letalidade destacam a necessidade de atenção prioritária. A maior vulnerabilidade de crianças do sexo masculino e a prevalência em faixas etárias mais avançadas reforçam a importância de estratégias preventivas e assistenciais específicas. A leve redução em 2024 sugere possível estabilização dos casos, mas o acompanhamento contínuo é essencial para confirmar essa tendência. O estudo fornece suporte para políticas públicas voltadas à redução da morbidade e mortalidade infantil por doenças respiratórias agudas no Pará.

