ANÁLISE EPIDEMIOLÓGICA DE DOENÇAS HIPERTENSIVAS NA REGIÃO NORTE DO BRASIL ENTRE OS ANOS DE 2018 A 2022.
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.674Resumo
Introdução: Embora o Sistema Único de Saúde (SUS) ofereça tratamento gratuito para Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), em 2021, o Brasil atingiu o maior valor de óbitos pela doença nos últimos 10 anos, com uma taxa de 18,7 mortes a cada 100 mil habitantes. Dentro da vigilância epidemiológica é importante o uso de dados numéricos em informações, que podem direcionar políticas públicas em saúde e beneficiar profissionais na sua atuação na atenção básica ou hospitalar. Objetivos: Analisar quantitativamente óbitos ocasionados por doenças hipertensivas na região Norte brasileira, e suas variáveis entre os anos de 2018 a 2022. Materiais e métodos: Pesquisa epidemiológica, quantitativa e descritiva, utilizando dados secundários do Ministério da Saúde, Sistema de Vigilância em Saúde e Coordenação Geral de Informações e Análises Epidemiológicas, considerando o sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). A localidade é a região Norte do Brasil, filtrados pela causa CID-BR-10: 067 entre 2018 a 2022. As variáveis utilizadas foram ano do óbito, sexo, idade, etnia, escolaridade e localidade dos óbitos por residência. Resultados e conclusão: Houve 17.199 mortes registradas. A maioria das mortes em todo o período estava na categoria hipertensão essencial, seguido de doença cardíaca hipertensiva, e o ano com mais mortalidade foi o de 2020 (3.774). Entre 2019-2020 evidenciou-se aumento significativo nos óbitos. Entre 2020-2021 houve diminuição do número de mortes por HAS. As capitais com maior número de óbitos decorrentes de doenças hipertensivas, em relação a toda a região Norte, foram Manaus-AM (1.809) e Belém-PA (1.350). Além disso, o gênero masculino apresenta uma prevalência superior em relação ao feminino na hipertensão. A idade com maior número foi igual ou maior do que 80 anos(7.547). Em relação a etnia, prevaleceu a etnia parda, seguido da etnia branca e preta. Em relação à escolaridade, a maioria das pessoas possuía nenhum ano de escolaridade (6.126). Revela-se a necessidade permanente de reforçar sistemas de saúde em regiões menos favorecidas, onde dificuldades impactam negativamente no acesso ao tratamento. Indica-se que entender o perfil epidemiológico mostra-se essencial para promover equidade no acesso ao tratamento e gestão da hipertensão, especialmente em populações de baixa escolaridade, visando reduzir os impactos da doença no SUS.
Palavras-chave: Doença Crônica; Saúde Pública; Perfil de Saúde
Agências financiadoras: Não se aplica
Eixo: Saúde do Adulto
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