ANÁLISE DO ACOMPANHAMENTO DE SAÚDE EM PRÉ-NATAL NA REGIÃO DE SAÚDE DO BAIXO AMAZONAS COM BASE NO NÚMERO DE CONSULTAS REALIZADAS
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.523Palavras-chave:
Cuidado Pré-natal, Gestantes, Acesso aos serviços de saúdeResumo
INTRODUÇÃO: O acompanhamento pré-natal é essencial para a saúde materno-infantil, sendo recomendadas ao menos seis consultas1.Contudo, na região do Baixo Amazonas, o acesso limitado aos serviços de saúde, somado a fatores geográficos, socioeconômicos e culturais, dificulta a adesão e oferta deste acompanhamento2. Diante disso, é fundamental investigar as fragilidades para embasar políticas que ampliem a cobertura. OBJETIVO: Analisar o acompanhamento pré-natal na Região do Baixo Amazonas com base no número de consultas realizadas. MATERIAL E MÉTODOS: Estudo transversal de base documental, com dados do Relatório de Pré-Natal na Atenção Básica, extraídos do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (SISAB), via acesso público na plataforma e-Gestor AB, para a análise do número de consultas de pré-natal realizadas de Janeiro a Setembro de 2024 na Região do Baixo Amazonas. RESULTADOS: Em 2024, identificou-se a insuficiência no número de consultas pré-natais realizadas na região do Baixo Amazonas (uma das 13 regiões de saúde do estado do Pará), composta por 14 municípios. No período, das 6.677 gestantes em acompanhamento de pré-natal, 3486 gestantes realizaram de 1 a 3 consultas, 2143 realizaram de 4 a 5 consultas e apenas 1048 realizaram 6 ou mais consultas, apresentando uma discrepância de 69% do primeiro ao último grupo3. Tal fenômeno pode estar relacionado a fatores socioeconômicos (baixa escolaridade e renda, dificuldade de acesso aos serviços), culturais (estigmas que levam à desvalorização do pré-natal), psicossociais (falta de suporte familiar, medos relacionados a gestação), organizacionais (demora no atendimento) e estruturais (instalações inadequadas)4. Apesar da cobertura de pré-natal na região Norte ser de 90,4%, apenas 30% das gestantes iniciaram no 1º trimestre5, evidenciando falhas no serviço, visto que a alta cobertura não garante a adesão efetiva. CONCLUSÃO: O acompanhamento pré-natal na região mostra-se fragilizado, possivelmente devido ao acesso, adesão e a outros fatores socioculturais. Logo, é imprescindível a implementação de estratégias para adequar o serviço à realidade local, como melhorias no transporte e nas instalações dos serviços, capacitação de profissionais para a realização das consultas e de campanhas educativas visando elucidar os estigmas em relação ao pré-natal.
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Referências
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