CARACTERIZAÇÃO DO CENÁRIO DA DOAÇÃO DE ÓRGÃOS NO ESTADO DO PARÁ NO PERÍODO DE 2017 À 2021
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.498Palavras-chave:
Transplantes, doação de órgãos, EpidemiologiaResumo
Introdução: A doação de órgãos é compreendida como uma oportunidade de recuperação, melhora e até mesmo prolongação da vida, suas etapas são definidas como um conjunto de procedimentos que consiste na retirada de um ou mais órgãos de um doador vivo ou não vivo, buscando a reabilitação do receptor. Um aspecto essencial a ser destacado são as baixas taxas de efetivação da doação, estas por sua vez, são atribuídas a contraindicações médicas, diagnóstico de Morte Encefálica tardio, manutenção hemodinâmica incorreta, não aceitação da família, desejo de não doação por parte do possível doador em vida, crenças religiosas ou culturais, assim como, a falta de conhecimento e informação sobre o tema. Objetivo: Caracterizar o cenário da doação de órgãos no Estado do Pará, entre os anos de 2017 a 2021. Material e métodos: Trata-se de um estudo epidemiológico, descritivo, com abordagem quantitativa. A pesquisa foi realizada com dados registrados em um banco de dados da Central Estadual de Transplantes (CET) do Pará, referente ao período de 2017 a 2021. As variáveis investigadas foram quantitativo de famílias entrevistadas; motivo da recusa familiar; n° de doações efetivas; quantitativo de órgãos doados, tipo de órgãos doados; sexo; faixa etária; e causa do óbito dos doadores. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade da Amazônia, sob Certificado de Apresentação e Apreciação Ética (CAAE) nº: 62395722.80000.5173. Resultados: No período, 240 familias foram entrevistadas, com 147 recusas registradas. Foram efetivadas 79 doações de órgãos, sendo 2017 o ano com maior número de doadores no período estudado (27), equivalente a 34%, com diminuição gradativa nos anos posteriores. No total 212 órgãos foram captados, incluindo rins, fígado e coração. Quanto ao perfil dos doadores 77% eram do sexo masculino, 40,5% tinham entre 18 a 34 anos e a principal causa de óbito foi traumatismo cranioencefálico (68%). Conclusão: O estudo permitiu caracterizar o cenário da doação de órgãos no Estado do Pará entre 2017 e 2021, evidenciando desafios e oportunidades para a ampliação desse processo. A análise dos dados revelou uma tendência de redução no número de doações ao longo dos anos, impactada por fatores como a alta taxa de recusas familiares e a pandemia da COVID 19.
Palavras-chave: Transplantes, doação de órgãos, Epidemiologia

