Implantação das Notificações de Doenças Compulsórias no Prontuário Eletrônico do Paciente: Relato de Experiência
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.494Palavras-chave:
prontuário do paciente, investigação, epidemiologiaResumo
Este estudo descreve a experiência na implantação das Fichas de Notificação Compulsória de Doenças no Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP) de um hospital de referência materno-infantil em Belém, Pará, entre 2020 e 2024. O principal objetivo foi aprimorar a vigilância epidemiológica, facilitando a notificação de doenças de notificação compulsória e reduzindo subnotificações. O hospital foi designado como unidade sentinela pela Rede Nacional de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (Renaveh), atendendo usuários de todo o Estado, o que torna essencial a implementação de sistemas eficazes de monitoramento. A metodologia adotada foi qualitativa, com abordagem de relato de experiência sistematizado, focando na descrição do processo vivido pela equipe. O estudo foi dividido em cinco momentos: ponto de partida, perguntas iniciais, recuperação do processo, reflexão de fundo e pontos de chegada. A implantação das fichas de notificação no PEP teve início com a necessidade de melhorar a notificação de casos de COVID-19 durante a pandemia, mas, expandiu-se para outras doenças de notificação compulsória à medida que o sistema foi aprimorado. A solicitação para digitalização das fichas partiu do Núcleo de Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NVEH) à Coordenação de Tecnologia da Informação (CTIN), que desenvolveu as ferramentas necessárias. Entre 2020 e 2021, foram implementadas 22 novas fichas, facilitando o trabalho de médicos e enfermeiros e permitindo uma resposta mais ágil e precisa. A equipe de vigilância realizou treinamentos para integrar essa nova tecnologia na rotina dos profissionais de saúde. A reflexão crítica revelou que a digitalização das notificações ajudou a reduzir subnotificações, ao integrar a notificação ao processo de prescrição de exames e medicamentos. No entanto, alguns profissionais demonstraram resistência devido ao tempo adicional necessário para preencher as fichas. Como solução, sugeriu-se simplificar o processo, automatizando a inserção de dados pessoais nas fichas, permitindo que os profissionais se concentrassem nos dados clínicos e laboratoriais. Conclui-se que a digitalização das notificações no PEP foi um avanço significativo na vigilância epidemiológica, contribuindo para respostas mais rápidas e eficazes aos surtos de doenças. A integração com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) foi apontada como meta futura para tornar o processo ainda mais eficiente.
Palavras-chave: Prontuário do Paciente; Investigação; Epidemiologia.
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Referências
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