Impacto do Tabagismo na Saúde Pulmonar: Atualizações sobre Asma e DPOC
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.483Palavras-chave:
Tabagismo, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, AsmaResumo
Introdução
O tabagismo é um dos principais fatores de risco para doenças pulmonares crônicas, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e crises asmáticas. Embora tenham sido feitos avanços no combate ao tabagismo, sua prevalência continua a ser um desafio para a saúde pública.
Objetivo
Investigar a relação entre tabagismo, internações e desfechos clínicos em pacientes com asma e DPOC na rede pública de saúde, visando fornecer subsídios para aprimorar as políticas de controle do tabagismo e o manejo dessas doenças pulmonares crônicas.
Materiais e Métodos
Este estudo é epidemiológico, retrospectivo, utilizando dados secundários do DATASUS e da Secretaria Estadual de Saúde, entre 2020 e 2024. Foram analisados registros de internações e óbitos por DPOC e asma, estratificados por tabagismo ativo e histórico de tabagismo. As variáveis avaliadas incluem taxa de hospitalização, tempo de permanência hospitalar, reinternações e mortalidade. A análise estatística descritiva e inferencial foi realizada para identificar tendências e correlações.
Resultado
Entre 2020 e 2024, Belém registrou 838 internações por asma e 1.494 por DPOC. As taxas de hospitalização para pacientes com histórico de tabagismo foram significativamente mais altas, com uma média de 6,5 dias de internação para tabagistas, contra 4,2 dias para não tabagistas. Além disso, observou-se um aumento de 30% nas reinternações de pacientes com DPOC que continuaram fumando após a alta hospitalar. A mortalidade também foi elevada, com 53 óbitos por asma e 926 por DPOC e asma combinadas entre 2020 e 2023. Entre os pacientes que faleceram, 75% eram fumantes ativos ou ex-fumantes. Esses dados evidenciam que o tabagismo está diretamente associado ao agravamento das doenças respiratórias crônicas e à dificuldade de manejo, principalmente nos estágios mais avançados da DPOC.
Os dados também destacam que a falta de políticas eficazes de cessação do tabagismo pode contribuir para o aumento da hospitalização e mortalidade desses pacientes. A necessidade de políticas mais robustas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado se torna evidente.
Conclusão
Os achados reforçam a importância de intensificar as políticas de cessação do tabagismo e estratégias de acompanhamento precoce para pacientes com asma e DPOC fumantes. A abordagem multidisciplinar, com suporte para a interrupção do tabagismo e monitoramento da função pulmonar, pode reduzir hospitalizações e melhorar os desfechos clínicos.
Palavras-chave
Tabagismo; Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica; Asma; Saúde Pública.

