Expansão das arboviroses no Pará e sua relação com as alterações climáticas
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.479Palavras-chave:
arboviroses, mudanças climáticas, saúde públicaResumo
Introdução: As arboviroses são um conjunto de doenças de origem viral transmitidas por artrópodes. Dentre as arboviroses mais conhecidas, destacam-se a Dengue, Zika e Chikungunya, que representam um grave problema de saúde pública em áreas tropicais e subtropicais. O aumento dos casos dessas doenças tem ocorrido globalmente, impulsionado por fatores sociais, econômicos e ecológicos. Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico das principais arboviroses no estado do Pará no período de 2017 a 2024 e sua relação com as mudanças climáticas. Material e Método: Trata-se de um estudo ecológico, observacional e descritivo de séries temporais, que analisa a relação entre a incidência de arboviroses (Dengue, Zika e Chikungunya) e variáveis climáticas (precipitação, temperatura e queimadas) no estado do Pará, no período de 2017 a 2024. O estudo utiliza dados secundários de fontes públicas e reconhecidas, integrando informações epidemiológicas e climáticas.Resultados: Entre 2017 e 2024, o Pará registrou 114.688 casos de arboviroses (64.617 dengue, 44.773 chikungunya e 5.308 zika), com picos em fevereiro e março. Os anos mais chuvosos coincidiram com o aumento de casos: em 2017, Belém registrou 3.830,4 mm de chuva; em 2020, altos índices pluviométricos acompanharam o crescimento de dengue e chikungunya. Em 2024, apesar da redução da chuva (2.752,2 mm), a persistência dos casos sugere influência de temperatura elevada (37,9°C) e queimadas (55.513), que no período atingiram valores acima da média. Conclusão: O estudo evidenciou uma correlação significativa entre mudanças climáticas (precipitação, temperatura e queimadas) e o aumento das arboviroses no Pará entre 2017 e 2024. No entanto, é importante considerar as limitações e vieses inerentes ao uso de dados secundários e à natureza ecológica do estudo. As análises das frequências, bem como a discussão de limitações e estratégias para mitigar vieses, fortalecem a validade dos resultados e sua aplicabilidade para políticas públicas. Medidas urgentes são necessárias, incluindo monitoramento contínuo, pesquisas epidemiológicas, investimentos em vacinas e melhorias na infraestrutura sanitária para adaptação às novas condições climáticas.
Descritores: Arboviroses; Mudanças climáticas; Saúde pública.

