Rastreamento do Câncer do Colo do Útero em Belém: Cobertura e Desafios na Estratégia de Prevenção
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.466Palavras-chave:
Câncer do Colo do Útero, Prevenção, Rastreamento, Saúde PublicaResumo
Introdução
O câncer do colo do útero é um dos principais problemas de saúde pública no Brasil, sendo altamente prevenível por meio do rastreamento com o exame citopatológico (Papanicolau). No entanto, barreiras no acesso aos serviços de saúde impactam a cobertura do rastreamento. Este estudo investiga a cobertura do exame citopatológico em Belém, analisando sua adesão e os desafios enfrentados na estratégia de prevenção.
Objetivo
Avaliar a cobertura do rastreamento do câncer do colo do útero em Belém, identificando fatores associados à adesão e desafios na implementação da estratégia de prevenção.
Material e Métodos
Trata-se de um estudo transversal baseado na análise de dados secundários obtidos do Sistema de Informações do Câncer (SISCAN) e do Sistema de Informações Ambulatoriais (SIA/SUS). Foram incluídos dados sobre a realização do exame citopatológico em mulheres de 25 a 64 anos, entre 2018 e 2023. A análise incluiu a cobertura do exame, distribuição etária, repetição do teste no intervalo recomendado e possíveis disparidades regionais.
Resultados
A cobertura média do exame citopatológico em Belém variou ao longo dos anos, com uma redução progressiva entre 2018 e 2021, seguida de discreta recuperação em 2022 e 2023. A adesão foi maior na faixa etária de 35 a 49 anos, com menor cobertura entre mulheres mais jovens e acima de 60 anos. Fatores como baixa escolaridade, dificuldades no acesso ao serviço de saúde e a descontinuidade da oferta do exame foram identificados como barreiras ao rastreamento adequado. A repetição do teste dentro do intervalo recomendado (três anos) não atingiu a meta ideal, indicando necessidade de estratégias para melhorar a adesão.
Conclusão
Os achados indicam desafios significativos na cobertura do rastreamento do câncer do colo do útero em Belém. Apesar da disponibilidade do exame na rede pública, barreiras sociais e estruturais limitam o acesso e a adesão ao rastreamento periódico. Estratégias para ampliar a cobertura, como campanhas educativas e ampliação da oferta em Unidades Básicas de Saúde, são essenciais para fortalecer a prevenção e reduzir a incidência da doença.
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Referências
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