Perfil epidemiológico das infecções oportunistas em pacientes submetidos a transplante de córnea no Estado do Pará (2020-2024)

Autores

  • Naiara Cardoso e Cardoso Universidade da Amazônia
  • Paulinny Caldas de Lima Universidade da Amazônia
  • Carla de Castro Sant’ Anna Universidade da Amazônia

DOI:

https://doi.org/10.5327.prmj.405

Palavras-chave:

Transplante de Córnea, Infecções Oportunistas, Estado do Pará, Epidemiologia, Ceratite

Resumo

Introdução: O transplante de córnea é o mais realizado no Brasil e fundamental para restaurar a visão em diversas doenças oculares. No entanto, infecções oportunistas podem comprometer o sucesso do procedimento. No Pará, fatores como clima quente e úmido, baixa cobertura vacinal e dificuldade de acesso a serviços especializados aumentam o risco dessas infecções, destacando a importância da análise epidemiológica desses casos. Objetivo: Descrever o perfil epidemiológico das infecções oportunistas em pacientes submetidos a transplante de córnea no Pará entre 2020 e 2024, por meio de revisão integrativa e análise de dados epidemiológicos. Método: Estudo descritivo, com abordagem qualitativa e quantitativa, baseado em revisão integrativa e análise de dados epidemiológicos de bases públicas como DATASUS e Ministério da Saúde. Foram analisadas publicações de 2020 a 2024 sobre infecções oportunistas em transplantados de córnea na Amazônia Paraense, considerando variáveis como idade, sexo, agente etiológico, tempo de infecção, desfecho clínico e fatores de risco. A estatística descritiva foi utilizada para apresentação dos dados. Resultados: No período analisado, foram registrados 270 transplantes de córnea no Pará, sendo 65% em pacientes entre 40 e 70 anos. Infecções oportunistas ocorreram em 18% dos casos, com predomínio de ceratite fúngica (35%), seguida por infecções bacterianas (30%) e virais (Herpes simplex vírus, 25%). Pacientes imunocomprometidos, como diabéticos e portadores de doenças autoimunes, apresentaram maior risco de infecção. O tempo médio para manifestação foi de 30 dias após o transplante, e o uso prolongado de corticosteroides foi um fator de risco relevante. A letalidade ocular, definida como perda total da visão no olho transplantado, foi de 12% entre os infectados, sendo maior em infecções fúngicas tardias. Além disso, fatores socioeconômicos, como pobreza e dificuldade de acesso ao tratamento precoce, contribuíram para a piora do prognóstico em áreas remotas. Conclusão: Infecções oportunistas são complicações relevantes no transplante de córnea no Pará, especialmente em populações vulneráveis. O fortalecimento da vigilância pós-transplante, o acesso ampliado ao acompanhamento oftalmológico e medidas preventivas, como a profilaxia antimicrobiana, são essenciais para reduzir a morbidade e melhorar o prognóstico visual na região.

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Referências

BRASIL. DATASUS. Sistema de Informações Hospitalares (SIH). Brasília: Ministério da Saúde, [s.d.]. Disponível em: http://www.datasus.gov.br. Acesso em: 07 mar. 2025.

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SECRETARIA DE SAÚDE DO PARÁ. Relatórios Epidemiológicos do Pará. Belém: Secretaria de Saúde do Pará, [s.d.]. Disponível em: http://www.saude.pa.gov.br. Acesso em: 07 mar. 2025.

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Publicado

14.01.2026

Como Citar

Cardoso e Cardoso, N., Caldas de Lima, P., & de Castro Sant’ Anna, C. (2026). Perfil epidemiológico das infecções oportunistas em pacientes submetidos a transplante de córnea no Estado do Pará (2020-2024). Pará Research Medical Journal, 9(SUPL). https://doi.org/10.5327.prmj.405