Atuação da Enfermagem Obstétrica na Mortalidade Materna em Populações Vulneráveis da Região Norte durante a Pandemia de COVID-19
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.368Palavras-chave:
Enfermagem obstétrica, Mortalidade materna, Populações vulneráveisResumo
Título: O Papel da Enfermagem Obstétrica na Redução da Mortalidade Materna em Populações Vulneráveis na Região Norte durante a Pandemia
Autores e filiações: Geovanna de Assunção Barbosa¹; Layna de Cássia Campos Cravo²; Eliane Amaral da Silva¹; Wendy Gabriela Figueiredo Tavares¹; Marcelle Rayla Baia Filgueira¹; Aliny Duarte Lima³; Vanuza Serra Assunção¹; Poliany Shelma Silva¹; Yara Camile Pereira Marques¹
¹ Universidade da Amazônia (UNAMA), Belém - PA.
² Instituto Evandro Chagas (IEC), Belém - PA.
³ Universidade da Amazônia (UNAMA), Macapá- AP
Introdução: A mortalidade materna (MM) é definida pelo óbito de mulheres durante a gestação, parto ou até 42 dias após a gravidez. A atenção obstétrica em grupos vulneráveis é essencial para reduzir desigualdades em saúde, principalmente em contextos de vulnerabilidade social, como os exacerbados pela pandemia de COVID-19. Mulheres negras, indígenas e de classes sociais baixas enfrentam aumento de risco devido à pandemia. Objetivo: Analisar o papel da enfermagem obstétrica na redução da mortalidade materna em populações vulneráveis da Região Norte durante a pandemia de COVID-19, destacando estratégias de assistência para melhorar os desfechos de saúde materna. Metodologia: Estudo descritivo, documental e quantitativo, utilizando dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/SUS - TabNet) de 2019 a 2023, focando em variáveis como cor/raça, escolaridade, faixa etária e causas de morte obstétrica. Foi realizada uma revisão bibliográfica nas bases SciELO, PubMed, LILACS e CAPES, com descritores relacionados à mortalidade materna e populações vulneráveis. A análise dos dados foi feita por estatística descritiva. Resultados: Entre 2019 e 2023, o Brasil registrou 9.266 óbitos maternos, com maior mortalidade no Sudeste e Nordeste, mas a Região Norte apresentou 1.376 óbitos (15% do total nacional). O período da pandemia (2021) viu um aumento de 87% das mortes. Os estados do Pará e Amazonas representaram 71% das mortes na Região Norte. A maioria das mortes foi por complicações diretas, como hemorragias, infecções e hipertensão gestacional. As vítimas tinham entre 20 e 39 anos, eram predominantemente pardas (69%) e indígenas (7,3%). A baixa escolaridade (45% com até 7 anos de estudo) foi um fator associado. Conclusão: A enfermagem obstétrica desempenha um papel crucial na redução da mortalidade materna, com a implementação de cuidados eficazes no pré-natal, parto e puerpério. Contudo, desafios como infraestrutura inadequada, falta de profissionais especializados e barreiras culturais precisam ser superados. Capacitação contínua e colaboração com parteiras tradicionais e agentes comunitários são essenciais para melhorar o acesso e a qualidade do atendimento, especialmente nas regiões vulneráveis.
Palavras-chave: Enfermagem Obstétrica, Mortalidade Materna, Populações Vulneráveis.
Eixo temático: Ginecologia, Obstetrícia e Mastologia.
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Referências
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