Deficiência intelectual e gestação: um relato de experiência no centro de referência obstétrico da região Xingu

Autores

  • Camila Victória do Carmo Gomes Universidade Federal do Pará
  • Luanne da Silva Lima Universidade Federal do Pará
  • Luciano Tavares da Silva Universidade Federal do Pará
  • Jackley Gonçalves Serodio Universidade Federal do Pará
  • Raelma Almeida de Carvalho Universidade Federal do Pará
  • Tracy Martina Marques Martins Universidade Federal do Pará
  • Victória Nogueira Lopes da Silva Universidade Federal do Pará

DOI:

https://doi.org/10.5327.prmj.362

Palavras-chave:

Deficiência intelectual, Obstetrícia, comunicação

Resumo

Introdução: A discussão da sexualidade de portadores de deficiência intelectual e atraso cognitivo envolve estigmas sociais repletos de preconceitos e despreparo dos serviços de saúde. Objetivo: Relatar a experiência do atendimento hospitalar de gestante com deficiência cognitiva. Material e Métodos: Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, vivenciada em estágio realizado pela Universidade Federal do Pará, no Hospital Geral de Altamira (HGA), no município de Altamira-PA. Resultados e Conclusão: O HGA é referência em obstetrícia na região Xingu, nesse sentido, o atendimento hospitalar local compreende gestantes oriundas dos municípios vizinhos, que vivem em diferentes realidades. No dia 03 de fevereiro de 2025 uma paciente compareceu para realização da consulta pré-natal, acompanhada de seu companheiro, pai da criança. A enfermeira observou que ambos possuíam traços neurodivergentes, atípicos, denotados pela dificuldade na fala, incompreensão de perguntas simples feitas pelos profissionais e acadêmicos, além da fuga de olhares. Durante o atendimento na anamnese e exame físico, as perguntas foram repetidas várias vezes, pois o casal não parecia ter compreendido o que fora falado. Assim, para que os profissionais prosseguissem com o atendimento adequado, foi necessário realizar questionamentos de forma gradualmente simples, além de fornecer orientações finais de maneira didática e acessível, com tentativas de adequar o cotidiano deles aos cuidados essenciais no final da gestação e após o nascimento do bebê. Houve ainda uma preocupação com a rede de apoio do casal, e foi informado pela gestante que sua mãe prestaria auxílio durante o puerpério. Ao final da consulta, o casal foi liberado para internação pré-parto. Este relato evidencia que em casos de deficiência intelectual, evidencia-se a necessidade da criação de protocolos obstétricos direcionados, objetivando promover melhor assistência a essa população, por meio de linguagem acessível, cooperação multiprofissional e atenção à rede de apoio. Assim, recomenda-se a capacitação de profissionais da saúde para que haja comunicação efetiva com pessoas com dificuldade cognitiva, além da inserção dessa qualificação na grade curricular de cursos de graduação em saúde.

Palavras-chave: Deficiência intelectual; Obstetrícia; Comunicação.

Agências Financiadoras: Não se aplica.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Downloads

Publicado

14.01.2026

Como Citar

Victória do Carmo Gomes, C., da Silva Lima, L., Tavares da Silva, L., Gonçalves Serodio, J., Almeida de Carvalho, R., Martina Marques Martins, T., & Nogueira Lopes da Silva, V. (2026). Deficiência intelectual e gestação: um relato de experiência no centro de referência obstétrico da região Xingu. Pará Research Medical Journal, 9(SUPL). https://doi.org/10.5327.prmj.362

Edição

Seção

Relatos de Experiência