Deficiência intelectual e gestação: um relato de experiência no centro de referência obstétrico da região Xingu
DOI:
https://doi.org/10.5327.prmj.362Palavras-chave:
Deficiência intelectual, Obstetrícia, comunicaçãoResumo
Introdução: A discussão da sexualidade de portadores de deficiência intelectual e atraso cognitivo envolve estigmas sociais repletos de preconceitos e despreparo dos serviços de saúde. Objetivo: Relatar a experiência do atendimento hospitalar de gestante com deficiência cognitiva. Material e Métodos: Estudo descritivo, do tipo relato de experiência, vivenciada em estágio realizado pela Universidade Federal do Pará, no Hospital Geral de Altamira (HGA), no município de Altamira-PA. Resultados e Conclusão: O HGA é referência em obstetrícia na região Xingu, nesse sentido, o atendimento hospitalar local compreende gestantes oriundas dos municípios vizinhos, que vivem em diferentes realidades. No dia 03 de fevereiro de 2025 uma paciente compareceu para realização da consulta pré-natal, acompanhada de seu companheiro, pai da criança. A enfermeira observou que ambos possuíam traços neurodivergentes, atípicos, denotados pela dificuldade na fala, incompreensão de perguntas simples feitas pelos profissionais e acadêmicos, além da fuga de olhares. Durante o atendimento na anamnese e exame físico, as perguntas foram repetidas várias vezes, pois o casal não parecia ter compreendido o que fora falado. Assim, para que os profissionais prosseguissem com o atendimento adequado, foi necessário realizar questionamentos de forma gradualmente simples, além de fornecer orientações finais de maneira didática e acessível, com tentativas de adequar o cotidiano deles aos cuidados essenciais no final da gestação e após o nascimento do bebê. Houve ainda uma preocupação com a rede de apoio do casal, e foi informado pela gestante que sua mãe prestaria auxílio durante o puerpério. Ao final da consulta, o casal foi liberado para internação pré-parto. Este relato evidencia que em casos de deficiência intelectual, evidencia-se a necessidade da criação de protocolos obstétricos direcionados, objetivando promover melhor assistência a essa população, por meio de linguagem acessível, cooperação multiprofissional e atenção à rede de apoio. Assim, recomenda-se a capacitação de profissionais da saúde para que haja comunicação efetiva com pessoas com dificuldade cognitiva, além da inserção dessa qualificação na grade curricular de cursos de graduação em saúde.
Palavras-chave: Deficiência intelectual; Obstetrícia; Comunicação.
Agências Financiadoras: Não se aplica.

