AVALIAÇÃO DA FUNCIONALIDADE DE PACIENTES CRÍTICOS EM UM HOSPITAL DE REFERÊNCIA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.5327.prmj.316

Palavras-chave:

Unidade de Terapia Intensiva, Estado Funcional, Fisioterapia

Resumo

INTRODUÇÃO: A funcionalidade dos pacientes altera-se durante a internação em Unidades de Terapia Intensiva (UTI’s), tornando essencial a compreensão desse processo para melhor manejo no ambiente crítico. A imobilidade prolongada e a restrição à mobilização precoce [1] e fisioterapia motora devido à criticidade nesses setores prolongam as internações e prejudicam a independência funcional pós-alta. Essas limitações geram complicações como a Síndrome Pós-Cuidados Intensivos (PICS), afetando a qualidade de vida [2,3]. Por isso, o uso de escalas avaliativas como a Escala de Estado Funcional em UTI (FSS-ICU) é essencial para entender o grau de implicação e traçar metas terapêuticas [4]. OBJETIVO: Caracterizar o perfil funcional de pacientes adultos na admissão e alta da UTI. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um estudo retrospectivo, transversal e analítico através da análise de prontuários de pacientes internados de janeiro de 2021 a dezembro de 2022 em UTI’s adultas, aprovado sob o parecer de n° 6.075.346/2023. Foram incluídos indivíduos acima de 18 anos que apresentaram avaliação calculada pela escala FSS-ICU e os que ficaram internados por mais de 48 horas.  Excluíram-se pacientes com registros incompletos e sem declínio funcional nas avaliações fisioterapêuticas. RESULTADOS: Foram analisados 1.646 prontuários, dos quais 1.292 foram incluídos. A avaliação funcional revelou um aumento nos valores totais da FSS-ICU, indicando uma melhora no quadro clínico. Esses valores duplicaram na alta em relação a admissão, sendo estatisticamente significante (p=<0,0001*), sugerindo alto impacto da fisioterapia nessa evolução. O risco de intubação foi maior em pacientes com idade entre 42 e 49 anos (p=0,0450*) e 66 e 73 anos (p=0,0048*) e disfunções neurológicas foram as doenças mais prevalentes (p=<0,0001*) que necessitaram de suporte intensivo, o que leva o indivíduo a um tempo maior de uso de ventilação mecânica invasiva, a qual nesse estudo esteve diretamente ligada ao valor da FSS-ICU. CONCLUSÃO: Portanto, independente do tempo de internação na UTI, observa-se comprometimento funcional significativo. Assim, a equipe multiprofissional deve trabalhar mecanismos para prevenir esse tal acometimento, devolvendo o paciente para o ambiente social mais autônomo possível. Ademais, nota-se o impacto positivo da fisioterapia na funcionalidade, prevenindo sequelas prolongadas.

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Biografia do Autor

Axell Timotheo Lima Acioli Lins, Universidade do Estado do Pará

Graduado em Fisioterapia pela Universidade do Estado do Pará (UEPA) (2011-2016), especialista em Fisioterapia em Terapia Intensiva pela Faculdade Inspirar (2016-2018), especialista em Intensivismo pela residência multiprofissional do Hospital Universitário Regional dos Campos Gerais Wallace Thadeu de Mello e Silva (HURCG) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) (2017-2019) onde atuou em todos os tipos de Unidades de Terapia Intensiva e Salas de Urgência e Emergência possui experiência em pesquisa com pneumopatias e cardiopatias congênitas e adquiridas e terapia intensiva adulto, neonatal e pediátrica, Título de Especialista em Fisioterapia em Terapia Intensiva Adulto (COFFITO). Mestre em Farmacologia e Bioquímica (FARMABIO) pela Universidade Federal do Pará, membro da Sociedade Brasileira de Fisioterapia Cardiorespiratória e Fisioterapia em Terapia Intensiva (ASSOBRAFIR).

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Publicado

18.03.2026

Como Citar

Cruz Monteiro, D. E., Izabelle Pantoja Veloso, P., Pantoja Siqueira, L. F., & Lima Acioli Lins, A. T. (2026). AVALIAÇÃO DA FUNCIONALIDADE DE PACIENTES CRÍTICOS EM UM HOSPITAL DE REFERÊNCIA. Pará Research Medical Journal, 9(SUPL). https://doi.org/10.5327.prmj.316