Gravidez na adolescência na Amazônia paraense: panorama epidemiológico na região metropolitana de Belém

Autores

  • Maria Edilena Ribeiro de Paula Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), Belém, PA, Brasil. https://orcid.org/0009-0007-3387-300X
  • Maria de Nazaré Rodrigues Pereira Martins Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação – Saúde Pública, Belém, PA, Brasil. https://orcid.org/0000-0002-0807-6566

DOI:

https://doi.org/10.5327/prmj.1036

Resumo

Objetivo: Descrever o perfil epidemiológico e sociodemográfico da gravidez na adolescência na Região Metropolitana de Belém, composta por oito municípios, Ananindeua, Barcarena, Belém, Benevides, Castanhal, Marituba, Santa Bárbara do Pará, Santa Izabel do Pará  Método: Estudo descritivo, de abordagem quantitativa, transversal e retrospectivo, realizado com dados secundários do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). As variáveis abrangeram aspectos epidemiológicos e sociodemográficos. A prevalência populacional foi calculada por meio da relação percentual entre os casos de gravidez na adolescência e o total de adolescentes do sexo feminino residentes nos municípios analisados, multiplicada por 100. Resultados: Evidenciou-se redução progressiva dos registros de gravidez na adolescência, entre os anos analisados, em todos os municípios verificados, embora os índices ainda permaneçam elevados em comparação a outras regiões do país. Dos 31.206 casos, 96% eram de adolescente na faixa etária de 15 a 19 anos, autodeclaradas pardas, solteiras e com baixa escolaridade, indicando associação com contextos de vulnerabilidade social. As maiores prevalências populacionais do agravo foram identificadas nos municípios de Barcarena, Benevides e Santa Bárbara. Quanto às características gestacionais, 14% apresentavam prematuridade (22 a 36 semanas de gestação), enquanto 61% apresentavam de nenhuma  até seis consultas de pré-natal. Observou-se ainda taxa de 45% de partos cesáreos, valor superior ao recomendado. Nos desfechos neonatais, 11% dos recém-nascidos apresentaram baixo peso ao nascer (<2.500 g) e 10% com índice de Apgar  no 1º minuto de vida entre 0 e 7 pontos, indicando possíveis intercorrências neonatais.Conclusão: Embora tenha ocorrido redução dos casos de gravidez na adolescência nos municípios analisados, os índices permanecem elevados e associados a condições de vulnerabilidade social e desfechos maternos e neonatais desfavoráveis. Esses achados reforçam a necessidade de fortalecer políticas públicas baseadas em evidências, intersetoriais e alinhadas aos princípios da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), com foco na promoção da saúde, da educação e na redução das desigualdades sociais.

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Publicado

28.09.2026

Como Citar

de Paula, M. E. R., & Martins, M. de N. R. P. (2026). Gravidez na adolescência na Amazônia paraense: panorama epidemiológico na região metropolitana de Belém. Pará Research Medical Journal, 11. https://doi.org/10.5327/prmj.1036

Edição

Seção

Artigos de Pesquisa